sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Rosa e Sertão seleciona candidatos para trabalhar no projeto Turismo Ecocultural de Base Comunitária do Mosaico Sertão Veredas-Peruaçu

INSTITUTO CULTURAL AMBIENTAL ROSA E SERTÃO
Convênio Caixa Econômica Federal / Instituto Rosa e Sertão

Projeto Turismo Ecocultural de Base Comunitária do Mosaico Sertão Veredas
TERMO DE REFERÊNCIA Nº 001/12

 
1. OBJETIVO: Contratação de Gestor Técnico para coordenar o projeto Turismo Ecoculltural de Base Comunitária do Mosaico Sertão Veredas-Peruaçu, sob a execução do Instituto Rosa e Sertão.



2. CONTEXTUALIZAÇÃO:
O presente projeto será desenvolvido no território do Mosaico Sertão Veredas - Peruaçu, que engloba 11 unidades de conservação, sendo seis de proteção integral, quatro de uso sustentável e uma RPPN, perfazendo uma área total aproximada de 1.500.000 hectares. Além destas unidades de conservação, existem no território do Mosaico, uma área indígena, outras três RPPNs, corredores ecológicos e zonas de amortecimento definidos em planos de manejo já elaborados e várias reservas legais averbadas.

Entremeadas a todas estas áreas protegidas localizam-se propriedades privadas, em que são desenvolvidas as atividades agropecuárias, tanto voltadas para o agronegócio e a silvicultura, como para a agricultura familiar.

O território do Mosaico abrange 10 municípios do noroeste de Minas Gerais e um no sudoeste da Bahia, região que possui uma densidade demográfica bastante baixa, de pouco mais de 5 hab / km2, e baixos Índices de Desenvolvimento Humano, com uma média de 0,67.

Trata-se de uma região ainda bem conservada do ponto de vista dos recursos naturais, sendo classificada como área de extrema e alta importância biológica.

Característica também importante refere-se à riqueza cultural dos povos que habitam a região, sertanejos, quilombolas, indígenas, dentre outros. Nela ainda se encontram preservadas várias formas de manifestações culturais tão bem descritas pelo célebre escritor mineiro João Guimarães Rosa, a quem se prestou homenagem ao se nomear o Parque Nacional sediado em Chapada Gaúcha com o título de sua mais famosa obra, Grande Sertão: Veredas.

São inúmeros os atrativos e as opções de visitação pública nesta região, o que se traduz em grandes potencialidades para o desenvolvimento do turismo ecocultural.

Nos últimos anos, a região tem despertado o interesse de grandes investidores do agronegócio que poderão transformar a paisagem em grandes monocultivos de grãos e eucalipto, a exemplo do que vem ocorrendo em outras áreas do bioma Cerrado. As terras mais baratas, se comparado com outras áreas de Minas Gerais, tem sido um dos principais fatores para essa movimentação.

O Projeto objetiva promover o desenvolvimento do Turismo Ecocultural de Base Comunitária na região do Mosaico, de forma a valorizar as riquezas naturais e as tradições culturais garantindo a participação de diferentes atores considerando as relações de gênero, etnia e geração. Pretende também, potencializar suas ações por meio do trabalho coletivo com o projeto Extrativismo Sustentável, realizado pela Coop Sertão Veredas firmando a gestão integrada de duas vertentes de fomento a geração de renda e valorização dos modos de vida tradicional e da biodiversidade.

Para isso serão desenvolvidas ações relacionadas com de capacitação, intercâmbio, valorização da cultura tradicional, educação ecocultural nas escolas, implantação de pousadas comunitárias e fortalecimento da organização comunitária, tendo como foco o turismo de base comunitária.

3. ABRANGÊNCIA

As atividades objeto deste TDR envolverão fases de campo e de escritório. O trabalho de campo terá como âmbito geográfico o território do Mosaico Sertão Veredas Peruaçu que engloba os municípios: Arinos, Formoso,Urucuia, Chapada Gaucha, Cocos (BA), Januária, Bonito de Minas, Cônego Marinho, Itacarambi, São João das Missões e Manga.

A Sede do projeto será no município de Chapada Gaúcha.

4.1 Coordenar as atividades do projeto, sendo elas: I) Capacitações nas áreas de empreendedorismo relacionados a hospedagem e alimentação, guiagem de turistas, desenvolvimento de roteiros ecoculturais, operadores locais de turismo, noções de turismo; II) Visitas de intercâmbio em localidades que realizem trabalhos bem sucedidos relacionados com ecoturismo e turismo ecocultural, objetivando a troca de experiências e estabelecimento de parcerias; III) Valoração da cultura tradicional por meio de educação ecocultural nas escolas e comunidades e, realização do Encontro Anual dos Povos do Grande Sertão Veredas; IV) Fortalecimento da organização comunitária; V Melhoria da infra-estrutura por meio da implementação de três pousadas comunitárias.

4.2 Coordenar e elaborar relatórios técnicos das atividades desenvolvidas no projeto.

4.3 Supervisionar o trabalho da administração e finanças do projeto.

4.4 Supervisionar o trabalho da assistência técnica.

1. PRODUTOS

5.1. Relatórios semestrais das atividades executadas (físicas e financeiras)

5.2. Relatórios parciais e final de cumprimento do objeto.

2. PRAZOS

O prazo de execução do projeto será de 2 ( dois) anos.
O candidato será contrato por um período de 1 (um) ano podendo ser prorrogado por mais 1 (um) ano.
Os 3 (três)primeiros meses, serão de experiência.
Carga horária semanal: 40 horas.

3. VALORES
O contratado terá um vencimento mensal bruto de R$ 2.800,00 (dois mil e oitocentos reais).
Despesas operacionais

As despesas com transporte, alimentação e hospedagem correrão por conta da

Instituto Rosa e Sertão, decorrentes da execução do projeto, quando for preciso viajar.

4. QUALIFICAÇÃO

8.1 Formação nível superior completo

8.2 Experiência de pelo menos 3 anos em administração e coordenação de projeto relacionado com atividades turísticas e/ou comunidades tradicionais.

8.3 Carteira Nacional de Habilitação (CNH) - Tipo B;

8.4 Experiência em computação e outras mídias.

5. SUPERVISÃO


A supervisão será feita pela base executiva do Instituto Rosa e Sertão

6. PROCEDIMENTOS PARA CONCORRENCIA DA VAGA

6.1 Os currículos vitae deverão estar na sede do Instituto Rosa e Sertão até o dia 13 de fevereiro de 2012, em horário comercial, para o endereço: Avenida Rio Grande do Sul, com a Minas Gerais, 437 Centro, Chapada Gaúcha/MG CEP: 39314-000. O candidato poderá optar pelo envio do currículo por e-mail: rosaesertao@gmail.com - Assunto: Concorrência Cargo Gestor Técnico / Projeto Mosaico, desde que haja a confirmação de recebimento pelo Instituto Rosa e Sertão.

6.2 Serão selecionados até 05 (cinco) currículos para realização de entrevistas.

6.3 As entrevistas acontecerão no dia 15 de fevereiro na sede do Instituto Rosa e Sertão situado Avenida Rio Grande do Sul, com a Minas Gerais, 437 Centro, Chapada Gaúcha/MG.

6.4 O resultado será comunicado ao candidato selecionado no dia 17 de fevereiro.

6.5 Capacitação para execução do projeto dias 23 e 24 de fevereiro no Ministério do Meio Ambiente/FNMA em Brasília/DF.


Chapada Gaúcha, 03 de fevereiro de 2012

Márcia Regina Silva Pena

Presidenta

Damiana Campos

Coordenadora Executiva

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Rosa e Sertão e Cooperativa Sertão Veredas planejam ações

Com os dois projetos aprovados pela Caixa Economica Federal  - Fundo Socioambiental da Caixa - o Instituto Rosa e Sertão, Funatura e Cooperativa Sertão Veredas dão andamento as primeiras ações dos projetos Turismo Ecocultural de Base Comunitária e Extrativismo no Mosaico Sertão Veredas-Peruaçu.

Com a proposta de um trabalho coletivo estamos afinando o cronograma de atividades e planejamento da metodologia de ação.

Em breve será lançado os Termos de Referencia para contratação das duas equipes técnicas que tocarão atividades pelos 11 municipios do Território Mosaico.

Muito trabalho pela frente!!!!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Memórias da II Reunião de Planejamento Participativo

Na tarde de 31 de janeiro de 2012, as 16:00 horas aconteceu, no Ponto de Cultura Seu Duchim, a II Reunião de Planejamento Participativo do Instituto Rosa e Sertão e instituições de Chapada Gaúcha.

Contamos com a presença dos pais e mães dos Manuelzinhos-da-Crôa, Rede Pública de Ensino - E.E.Moacir Cândido, Cooperativa Sertão Veredas, Funatura, Secretaria de Meio Ambiente, Secretaria de Agricultura, Sementes Lanza Vieira, num total de 30 pessoas pensando a gestão e ação participativa.

A segunda edição deste encontro teve por objetivo apresentar as ações e projetos que estarão em curso no ano de 2012, bem como, fomentar parceria para formação de um calendário coletivo de atividades/ações por meio das instituições governamentais, Escola, setor empresarial e ONGs. Este calendário terá como norteador atividades/ações que fomentem a promoção da Cultura, Meio Ambiente, Desenvolvimento e Política Social.

Em 2011, realizamos este encontro com intuito de fomentar novas parcerias, otimizar recursos e potencializar as ações. Porém muitas das entidades presentes não tinham realizado o planejamento de trabalho para o respectivo ano, dificultando assim um desenho coletivo do trabalho que seria realizado. Mesmo assim apresentamos os Planos de Trabalho e as atividades que desejaríamos que fossem realizadas coletivamente.

Na reunião deste ano apresentamos os projetos que desenvolvemos, que estão em andamento e que serão executados no presente ano com suas respectivas metas, ações, metodologias e planilhas orçamentárias. Sendo eles: O projeto já em fase final “Arara Vermelha” em parceria com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e IEF – Serra das Araras, o “Ponto de Cultura Espaço Geral de Folias Seu Duchim” em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais e Ministério da Cultura, o Projeto “Turismo Ecocultural de Base Comunitária Mosaico Sertão Veredas – Peruaçu” em parceria com a Caixa Econômica
Federal, Fundo Nacional do Meio Ambiente e Fundação Pró-Natureza - Funatura e, a apresentação do Prêmio Pontinhos de Cultura/2010 em parceria com a Secretaria de Cidadania Cultural e Ministério da Cultura.

Contamos também com a participação da Funatura que apresentou um panorama geral das atividades do Mosaico Sertão Veredas-Peruaçu e do projeto "Projeto Grande Sertão Veredas" FUNBIO/Funatura. Este projeto estará promovendo a visitação dos alunos das Escolas Públicas dos municípios de Formoso, Arinos, Chapada Gaúcha e Cocôs (BA) ao Parque Nacional Grande Sertão Veredas juntamente com uma proposta coletiva de Educação Ambiental.

Após as apresentações foi mencionado pelo Rosa e Sertão os desafios que Chapada Gaúcha terá que vencer no que diz respeito a criação de espaços de discussões, fomento a cultura e acesso a informação para jovens de 14 a 17 anos. Foi tocado aos participantes que esta iniciativa é mais uma vez uma tentativa de promover laços de solidariedade e união para que os adolescentes que não estão incluídos no processos de fruição cultural e autonomia se sinta parte integrante destes movimentos.

Finalizou com a apresentação do Plano de Ações do Instituto Rosa e Sertão por meio do Ponto de Cultura Seu Duchim e Prêmio Pontinhos de Cultura para que estas sejam potencializadas e somadas aos planos das demais instituições. Sendo elas:
Janeiro: Reunião Planejamento Participativa,
Fevereiro: Oficina de Comunicação Social e produção Site
Março: Oficina de ÁudioVisual com o Ponto de Cultura Artemanha - Caravelas (BA), Encontros informativos - Saúde e Cultura - Educação Sexual e Violência doméstica
Abril: Cine Roça, Centro de Memória Viva, Cine Ponto
Maio: Intercâmbio dos alunos do ÁudioVisual com o Ponto de Cultura Artemanha,
Junho: Oficina de Processo Criativo com o Grupo Terceira Margem - Caravana Artesania
Julho: Encontro dos Povos do Grande Sertão Veredas

As atividades de Canto-Coral, Caixeiras, Arte- Educação, Dança, Programa Prosa e Sertão (Rádio Comunitária) segue sua programação permanente.

Ainda não conseguimos com formar este calendário ... um dia sei que vai acontecer.

Seguimos na coletividade!

Piratas e Tubarões

Piratas e Tubarões

Não temos que enxergar o mundo velho como aquele pai castrador que foi nos seus bons tempos, mas sim como um vovô com alzheimer.


Por Hernán Casciari [28.01.2012 03h00]
Tradução de Hugo Crema. Nota introdutória do Página 12.

Semana passada, a bem-sucedida escritora valenciana Lucía Etxebarría (Beatriz y los cuerpos celestes, Un milagro en equilíbrio, Prêmio Planeta, 2004) anunciou sua retirada por tempo indefinido do mundo literário, como forma de protesto contra a pirataria.Uma parte do mundo editorial se pronunciou em seu apoio, mas Hernán Casciari, autor do “blogoromance” Más respeto que soy tu madre (adaptado ao teatro por Antonio Gasalla) e editor desse sucesso esquisito que é a revista Orsai (sem anunciantes e vendida antecipadamente) publicou esta carta na qual diz a Lucía que não é para tanto e que os maus estão em todos os lugares.

O contador de assinaturas anuais da nova revista Orsai acaba de chegar a mil. Em nove dias, e sem notícias sobre o conteúdo ou a quantidade de páginas, mil leitores já compraram as seis revistas do próximo ano. E isso que todos sabem que sairá uma versão em pdf, gratuita, no mesmo dia em que a revista chegue às casas deles. Repito: acabamos de vender seis mil revistas. Seiscentas e sessenta e cinco por dia. Vinte e oito por hora.

Ao mesmo tempo, uma escritora espanhola acaba de anunciar que deixará de publicar. “Visto que foram feitos mais downloads ilegais do meu romance do que foram comprados exemplares, anuncio que não publicarei mais livros”, disse ontem Lucía Etxebarría. A impressa tradicional fez eco a essas palavras e a indústria editorial complementou: “Pobrezinha, olhem o que a internet está fazendo com os autores”.

Acontece o mesmo com a gente. Durante 2011 editamos quatro revistas Orsai. Vendemos uma média de sete mil exemplares de cada uma, e com esse dinheiro pagamos (extremamente bem) todos os autores. Os pdf’s gratuitos dessas quatro edições alcançaram seiscentos mil downloads ou visualizações na internet.

Vendemos sete mil, baixaram seiscentos mil.

Se os casos de Lucía Etxebarría e da Orsai são idênticos, e ocorrem no mesmo mercado cultural, por que nos causam alegria e a ela só causam desânimo?

A resposta talvez esteja em que se trata do mesmo mercado mas não do mesmo mundo.

Existe cada vez mais um mundo efervescente em que o número de downloads e o número de vendas físicas se complementam; seus autores dizem: “que bom, quanta gente me lê”. Mas ainda existe um mundo velho onde um número se subtrai ao outro; seus autores dizem: “que espantoso, quanta gente não me compra”.

O velho mundo se baseia em controle, contrato, exclusividade, confidencialidade, trava, representação e dividendo. Tudo o que acontecer fora de seus padrões é cultura ilegal.

O novo mundo se baseia em confiança, liberdade de ação, criatividade, paixão e entrega. Tudo o que acontecer dentro e fora de seus parâmetros é bom, contanto que as pessoas aproveitem a cultura, pagando ou sem pagar.

Dizendo de outra maneira: Lucía ser pobre não é culpa dos leitores que não pagam, e sim do modo como seus editores repartem os lucros vindos dos leitores que pagam. Mundo velho, mundo novo. Há algumas semanas vivi um caso que deixa muito claro o que ocorre quando esses dois mundos se cruzam. Vou contar para a Lucía e para vocês porque é divertido: Uma editora da Alfaguara (Grupo Santillana, Madri) me liga e me diz que estão preparando uma Antologia da Crônica Latinoamericana Atual. E que querem um conto meu que aparece no meu último livro, “um conto que se chama tal e tal, de que a gente gosta muito”.

Respondo que lógico, que pegue o conto que quiser. Ela me responde que me enviará um e-mail para solicitar autorização formal. Digo que tudo bem.

“Caro Hernán, lhe explico o que adiantei por telefone: a Alfaguara editará em breve uma antologia de bla bla bla cuja seleção e prólogo ficou a cargo de Fulaninho de Tal. Ele deseja incluir o teu conto Xis. Se você está de acordo com o contrato que anexei, envie duas cópias com todas as páginas assinadas ao seguinte endereço” (e inclui o endereço de Prisa Ediciones, Alfaguara).

Abro o arquivo em anexo, leio o contrato. Me fascina a leitura de contratos do mundo velho. Não se preocupam nem um pouco em disfarçar suas gravatas.

Me pedem um conto que chamam de “La Aportación”. A cláusula 4 diz que “o editor poderá efetuar quantas edições julgue convenientes até um máximo de cem mil (100.000)”. A cláusula 5 diz: “Como remuneração pela cessão de direitos de “La Aportación”, o editor pagará ao autor cem euros (100?) brutos, valor sobre o qual incidirão os impostos e se praticarão as deduções cabíveis”.

Pensei nos outros autores que compõem a antologia, nos que com certeza assinam contratos assim. Cem euros menos impostos e deduções são sessenta e três euros, e disso ainda se retiram os quinze por cento do agente ou representante (todos têm um), ou seja, o autor fica com cinquenta e três euros na mão. Não importa se a editora vende dois mil livros ou cem mil livros. O autor sempre leva cinquenta e três euros. Será que Lucía Etxebarría assina contratos assim?

Nessa mesma tarde respondi o e-mail à editora da Alfaguara:

“Oi Laura, o conto que vocês querem aparece no meu último livro, que é distribuído sob licença Creative Commons Reconhecimento 3.0 Unported, que é a mais generosa. Isso significa que vocês podem compartilhar, copiar, distribuir, executar, realizar obras derivadas e inclusive fazer uso comercial de qualquer um dos contos, desde que vocês digam quem é o autor. Te dou o texto de presente para você fazer com ele o que quiser, e que este e-mail sirva de comprovante. Mas eu não posso assinar essa porcaria legal assombrosa. Um beijo.”

A resposta chegou alguns dias depois; já não era ela que escrevia, senão outra pessoa:

“Hernán: entendemos isso, mas o departamento legal precisa que você assine o contrato para não termos problemas no futuro. Saudações!”

E aí eu não respondi mais. Para que continuar a corrente de e-mails?

A historinha é essa, não é grande coisa. Mas eu quero dizer, ao contá-la, que não temos de lutar contra o velho mundo, nem sequer temos que debater com ele. Temos que deixá-lo morrer em paz, sem incomodá-lo. Não temos que enxergar o mundo velho como aquele pai castrador que foi nos seus bons tempos, mas sim como um vovô com alzheimer.

- Me dá isso? – diz o vovô.

- Sim, vovô, toma.

- Não, assim não. Assina pra mim esse papel onde você diz que me dá isso e em troca eu cuspo em você.

- Não precisa disso, vovô, eu te dou. É de graça.

- Eu preciso que você assine esse papel, não posso aceitar de graça!

- Mas por quê, vovô?

- Porque se eu não te ferro de alguma maneira, eu não sou feliz.

- Bom, vovô, outro dia a gente se fala… Te amo muito.

E amamos muitos esse vovô de verdade. Há vinte, trinta anos, esse homem que agora está gagá nos ensinou a ler, pôs livros formidáveis nas nossas mãos.

Não temos que discutir com ele, porque gastaríamos energia no lugar errado. Temos que usar essa energia para fazer livros e revistas de outra maneira; temos que voltar a nos apaixonar por ler e escrever, temos que defender até a morte a cultura para que ela não esteja nas mãos de avôs gagás. Mas não temos que perder tempo lutando contra o avô. Temos que falar exclusivamente com nossos leitores.

Lucía: você tem um monte de leitores. Você é uma escritora de sorte. O demônio não são seus leitores; nem os que compram seus romances os que baixam as suas histórias na internet.

Não há demônios, na verdade. O que há são dois mundos. Duas maneiras diferente de fazer as coisas.

Está em você, em nós, em cada autor, continuar assinando contratos absurdos com velhos dementes, ou começar a escrever uma história nova e que todo mundo possa ler.
Publicado em espanhol no Página 12. Tradução de Hugo Crema ao português publicada no blog CalopsitaEscapista.

Fonte: http://revistaforum.com.br/conteudo/detalhe_noticia.php?codNoticia=9689/piratas-e-tubaroes

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Diálogo aberto para redesenho do Cultura Viva

Diálogo aberto para redesenho do Cultura Viva

O projeto de redesenho do Programa Cultura Viva foi discutido nos dias 22 e 23 de janeiro, em Porto Alegre, durante o encontro promovido pela Secretaria de Cidadania Cultural do Ministério da Cultura (SCC/MinC) – futura Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural – com os gestores das redes estaduais e municipais dos Pontos de Cultura e com a Comissão Nacional dos Pontos de Cultura (CNPdC). Também participaram do evento vários outros representantes do MinC, incluindo as secretarias de Articulação Institucional, Políticas Culturais, Economia Criativa (em estruturação no ministério) e a Secretaria Executiva.
 
A iniciativa na capital gaúcha buscou estabelecer um diálogo entre as partes, explorando temas relacionados à gestão, sustentabilidade e capacitação. Boa parte do primerio dia do encontro foi dedicada aos trabalhos em grupos, que elencaram questionamentos e demandas para apresentar à secretária da SCC/MinC na segunda-feira (23).
De acordo com a secretária de Cidadania Cultural, Márcia Rollemberg, a palavra redesenho poderia ser substituída por planejamento, considerando-se a necessidade de se fomentar uma rede de cidadania cultural e de buscar alternativas para a ampliação das ações do Programa e, ainda, estimular a sustentabilidade do processo. “Trata-se de um trabalho que requer empenho de todos os envolvidos, sendo necessária a apropriação, por parte dos personagens, da filosofia que norteia o programa e das interligações com as demais ações empreendidas pelo MinC”, ressaltou a secretária.

Já no primeiro dia do encontro a titular da SCC/MinC chamou a atenção para a atual configuração dos pontos de cultura em todo o país, (leia mais) utilizando-se da relação entre indicadores como a renda per capita e o investimento por cidadão. Ela destacou que a busca de alternativas para o fortalecimento do Cultura Viva passa, necessariamente, pela integração de três questões estratégicas, que fundamentam as ações do MinC: comunicação, cultura e educação.
 
 
Opiniões
De acordo com Bernardo Machado, da Secretaria de Articulação Institucional do MinC, quatro palavras poderiam resumir os direitos culturais de todo cidadão e coletivo, que devem ser mantidos pelo Estado: liberdade (de criar), igualdade (no acesso), identidade (respeitando-se a diversidade) e intercâmbio (nacional e internacional). “É nesse sentido que os conselhos de cultura devem ser a cabeça do Sistema Nacional de Cultura, tanto no âmbito estadual quanto no âmbito nacional”, completou.
 
Para João Pontes, gestor da rede estadual do Rio Grande do Sul, as falas evidenciaram a necessidade de um pacto federativo, que atue no sentido de unificar comportamentos e processos por parte dos estados e municípios. Segundo ele, os entes federados precisam estabelecer atribuições, responsabilidades, metodologias e indicadores submetidos ao Sistema Nacional de Cultura (SNC). “Qualquer estado ou município que opte pela adesão ao SNC tem que estar comprometido com o Programa Cultura Viva, de forma a demonstrar disposição de se estabelecer um discurso conjunto no planejamento das ações”, frisou.
 
Já Leri Faria, da CNPdC , defendeu que “já está na hora de estabelecermos uma agenda efetiva de trabalho com quem está na ponta do processo, com quem está no meio e com quem está na função decisória do governo”. Ele destacou o tripé do programa – empoderamento, gestão compartilhada e protagonismo – como elemento estruturante de transformações concretas na vida das pessoas.
 
Importância do Cultura Viva
De acordo com José Maria Reis (Zehma), do CNPdC, dois pontos ficaram muito claros nesses dois dias de diálogo: a importância do Programa Cultura Viva e da manutenção de suas ações.  “Esse diálogo é um processo de multiplicação que vai expandindo uma rede que se constrói presencial e virtualmente”, afirmou. Ele ressaltou o compromisso e a disposição de todas as partes envolvidas em participar dessa construção, por meio do diálogo.

Leri Faria disse que, “quando um convite para um diálogo acontece desta forma, provoca uma reflexão profunda também em nosso coletivo: olhamos ao redor e percebemos as limitações da nossa atuação nessa transformação do real”.  Frisou, em seguida, que “estamos disponíveis a participar dessa construção”.
 
FONTE: Pontão Ganesha / SCC - MinC http://ganesha.org.br/

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Projeto de Turismo de Base Comunitária no Mosaico Sertão Veredas-Peruaçu

A Caixa Econômica Federal firmou, em dezembro de 2011,  Acordo de Cooperação Financeira com o Instituto Culural e Ambiental Rosa e Sertão para apoiar projeto de Turismo Ecocultural de Base Comunitária no Mosaico Sertão Veredas-Peruaçu. Este prevê, juntamento com o projeto de Extrativismo firmado com a Coop. SertãO Veredas, a  conservação e uso sustentável do Cerrado na região do Sertão Norte-Mineiro, Noroeste e Bahia. A ação será feita por meio do Fundo Socioambiental Caixa (FSA).

O projeto será realizado no bioma cerrado, que ocupa uma área de 25% do território brasileiro, com grande biodiversidade, riquezas socioculturais e importantes nascentes de bacias hidrográficas como a do São Francisco, do Prata e do Amazonas tendo como objetivo fomentar o desenvolvimento da região em bases sustentáveis e integrado ao manejo das unidades de conservação e demais áreas protegidas do Mosaico SVP.

Estão previstas as seguintes ações: I) Formação nas áreas de empreendedorismo relacionados a hospedagem e alimentação, Condução de turistas, desenvolvimento de roteiros ecoculturais, operadores locais de turismo, noções de turismo;
II) Visitas de intercâmbio em localidades que realizem trabalhos bem sucedidos relacionados com ecoturismo e turismo ecocultural, objetivando a troca de experiências e estabelecimento de parcerias;
 III) Valoração da cultura tradicional por meio de educação ecocultural nas escolas e comunidades e, realização do Encontro Anual dos Povos do Grande Sertão Veredas;
 IV) Fortalecimento da organização comunitária; V Melhoria da infra-estrutura por meio da implementação de três pousadas comunitárias.


De acordo com o Plano de Trabalho o referido projeto será executado em dois anos com abrangência  nos 11 municípios que engloba o Mosaico, contando com a gestão participativa do Conselho Consultivo do Mosaico e o acompanhamento do Comitê formado por instituições governamentais e não governamentais da região.

Amanhã é dia de Circo em Chapada

Hoje tem marmelada?
Tem sim senhor!
Hoje tem palhaçada?
Tem sim senhor!


Ponto de Cultura Seu Duchim/Rosa e Sertão e Circo Cauan convidam para a programação especial com muito palhaço e brincadeira.

A mágia do circo com seus palhaços inspirou a ideia: onde tem circo tem criança e onde tem criança tem alegria e onde tem alegria tem cultura.

Não seria diferente, pois ao ver uma família circense, da cidade Carinhanha/BA, percorrendo estes Gerais a fora trazendo alegria e provocando risos em seu circo pequenino, mas cheio de amor. Deste encontro surge a parceria para um espetáculo coletivo.

É com muito prazer que anunciamos as palhaças Sassá e Tanajurá para o espetáculo começar!

Amanhã, 24 de janeiro de 2012 ás 18:00h. em Chapada Gaúcha.

Ingressos no Instituto Rosa e Sertão - Ponto de Cultura Seu Duchim - Avenida Rio Grande do Sul com a Minas Gerais -

Realização: Instituto Rosa e Sertão/Ponto de Cultura Seu Duchim e Circo Cauan
Apoio: Prêmio Pontinhos de Cultura/Ministério da Cultura/Programa Cultura Viva/Mais Cultura

sábado, 3 de dezembro de 2011

Manuelzinhos cantam e encantam em Serra das Araras

 Manuelzinhos-da-Crôa apresentam e encantam no Dia da Família na Escola.
Evento anual da Escola Estadual Serra das Araras!!!!!
Caixeiras do Ponto de Cultura Seu Duchim

 
 Nossa presidenta - Márcia Regina Silva Pena
 Daiana e Caixeiras na abertura da programação
 E agora a turma toda!!!
 E mais turma!!!!
 Mães acompanham seus passarinhos Manuelzinhos-da- Crôa na comemoração de Final de Ano
Lugar escolhido: Rio Feio em Serra das Araras
 Olhem a festa!!!!!

Este é um dos nossos maiores sonhos: percorrer o município alegrando e encantando com canções e brincadeiras do Sertão.


Parceria: Prefeitura Municipal de Chapada Gaúcha, Vereadores Aguinel e Vicente, Luiz Carlos do Cartório,  aos pais dos Manuelzinhos da Crôa e galera do Rosa e Sertão.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Sussuros sobre a viagem para participar no TEIA Estadual 2011

Olá leitores,

Gostaria aqui de expressar um pedacinho do orgulho e da felicidade que sentimos ao estar com os meninos e meninas do Ponto de Cultura Seu Duchim - Rosa e Sertão - na capital do nosso estado.
Participar do TEIA - espaço  de reflexão política e articulação dos Pontos de Cultura - foi para além da viagem e de representar o Norte de Minas no celeiro cultural e espaço de busca política de Minas Gerais. Foi, também, ter a oportunidade de ver o brilho nos olhos daqueles que sairam pela primeira vez de sua cidade e, assim tangívelmente, conhecer lugares que somente os livros e a TV proporcionou um dia, trocar experiências, conviver com seus amigos e saber da responsabilidade que é fazer Cultura.
Redações com as impressões destes participantes foram produzidas e será um prazer dividir com vocês.
Mas já adianto que tudo isso é consequencia e não o "produto final".
Tivemos a oportunidade de ver  os Pontos de Cultura de Minas Gerais e suas ações transformando a vidas e se transformando ao correr desta travessia. Olhe tem muuuuita coisa bacana ai!
Tudo isso é graças as estas pessoas que desde de 2007 acompanha a tranformação do Instituto Rosa e Sertão.
Para não deixar de agradecer a todos nomeio alguns que, em especial, abarcam todos que passaram pelas nossas vidas.
Agradecemos aos companheiros e companheiras do Instituto Rosa e Sertão: Márcia, Marilene, Vitória, Ambrosina, Mária, Bergues, Tiana, Seu Manoel, D. Vera, D'arK, Ernane, Manoel, Roseli, Zé, Toinha pelo carinho, acompanhamento e disposição na luta.
Á Camila e Ana por tudo que possibilitaram e, mesmo de longe, por fazer parte deste processo de transformação e firmamento do Rosa.
A Lady, Daiana e Diana pela coordenação das Ações do Ponto de Cultura e pelo marabalismo de efetuar as ações com força e muitas vezes sem recursos. Esse é um bom sinal e tenho isso como um aprendizado.
Aqueles que entraram e abraçaram a ideia: Sara, Keila, Adriana Maier, Zilma, Ana Claúdia, Lourdes, Marcílio, Neguinha, Natália.
Aos parceiros de hora e sempre que fizeram e fazem parte destas ações e aqui cabe ressaltar: Prefeitura Municipal de Chapada Gaúcha, E.E.Moacir Cândido, E.M. Santo Agostinho e Comércio Local, em especial, o acompanhamento da SEC - Secretaria de Interiorização -, Programa Cultura Viva e MinC.
A Funatura pelo acompanhamento e zelo nas horas precisas.
E, em especial, as meninos e meninas Manuelzinhos-da-Crôa que brilham esta casa, a todos as comunidades rurais e moradores da sede de Chapada por estar conosco nesta missão.
Só temos a agradecer e dizer que é só um pedacinho de muita coisa boa que irá por ai.
Por tudo isso, tenho muito orgulho de dizer que somos ONG em todo o significado, o tecido social que trabalha e acredita na transformação social.
Um grande beijo,
Damiana

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Outras Rosas em Rosa no TEIA Estadual Minas Gerais


O espetáculo Outras Rosas em Rosa do Ponto de Cultura Seu Duchim estará em BH no TEIA Estadual de Minas Gerais no dia 19 de novembro de 2011.
O resultado saiu esta semana e já deixou os meninos e meninas saltitando de tanta alegria.
O espetáculo é uma junção do Canto-Coral Manuelzinho-da-Crôa, Caixeiras de Folia de Reis, Corpo de Dança e o audiovisual por meio do canto e da expressão corporal. Encantam pelos toques dos tambores, vozes e brincadeiras de Reis e permite a entrada do nosso Miguilim apresentando este Sertão na visão da criança que tem dentro da gente.
Estaremos lá aplaudindo este povo bonito!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

TEIA Minas Gerais

AS INSCRIÇÕES ENCERRAM HOJE!!!
O Ponto de Cultura Seu Duchim estará no aguardo do resultado da seleção da Mostra Artística e do Audio-Visual!

Já pensou como seria as Caixeiras, Manuelzinho-da-Crôa e o corpo de Dança na Capital? E o Doc "Prosas, Causos e Histórias"?
É o Sertão tomando as Minas e sacundindo as estruturas!
Vamos torcer!
Mas se não rolar estaremos marcando presença nos Grupos de Trabalhos batalhando pelos encaminhamentos firmados no TEIA Regional da região Norte e Noroeste realizado no mês de setembro em Sagarana.

Processo de Aprendizagem em Patativa do Assaré

Olá pessoal!

Como havia escrito na postagem sobre o processo de escrita tive a oportunidade de entender esta confusão que está a minha cabeça.
As experiências e trocas ao longo deste ano foram provocadoras e também norteadoras de muitos outros processos que virão daqui pra frente.
Mas foi lendo o Fanzine de uma galerinha gente boa lá de Cumuru (BA) que o medo de escrever foi embora ... Eles me fizeram lembrar que este blog é um processo de aprendizagem mútua, isto é, para aquele que posta e aquele que lê.
Com a licença mais que poética transcrevo um trecho da notinha de rodapé:
" Como já dizia Patativa do Assaré ... É melhor escrever errado a coisa certa, do que certo a coisa errada".
É neste barco que seguimos com mais notícias deste nosso Sertão e que outros venham postar nesta janelinha da casa do Rosa e Sertão.
Quem mais?
:) Damiana

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Memória Fotográfica da Reunião do Conselho do Mosaico SVP

Fotos: Roque Sá
Local: Camâra Municipal de Formoso
Formoso/MG


Representante da FUNAI - Paulo Cesar
 Rosa e Sertão - Damiana Campos
 Caritas Diocesana - Jerre - No fundo Rosa e Sertão - Daiana
 Apresentação da WWF
Apresentação do Cronograma de Ações do Projeto Mosaico de Turismo de Base Comunitária

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Reunião do Conselho Consultivo Mosaico Sertão Veredas - Peruaçu - Setembro de 2011

Aconteceu no dia 30 de setembro na cidade de Formoso ( Noroeste de Minas) a reunião do Conselho Consultivo do Mosaico Sertão Veredas-Peruaçu, com a seguinte pauta:

1. Leitura e aprovação da ata da 5ª reunião ordinária ocorrida no dia 07/07/2011;

2. Criação do Comitê de Acompanhamento dos Projetos de Extrativismo e de Turismo Ecocultural a serem executados pela Coop Sertão Veredas e Instituto Rosa e Sertão, respectivamente, e financiados pelo FNMA / Fundo Socioambiental da CAIXA;

3. Proposta de abertura de um posto da Polícia Militar Ambiental na Chapada Gaúcha;

4. Apresentação pelo WWF do resultado do mapeamento do uso e ocupação do solo no território do Mosaico;

 5. Informe sobre a proposta de parceria entre o Mosaico Sertão Veredas – Peruaçu e o Parque Natural Regional Scarp Escaut no âmbito da Cooperação Descentralizada existente entre o Governo do Estado de Minas Gerais e a Região Nord Pas de Calais, França;

6. Informe sobre a capacitação para gerentes de unidades de conservação do ICMBio sobre Mosaicos de Áreas protegidas ocorrida na ACADEBIO entre os dias 15 e 19 de agosto de 2011;


Alguns encaminhamentos importantes foram dados no que tange especificamente as ações e projetos envolvendo a região do Mosaico. A afirmação da importância de compreensão das especificidades do território a partir dos laços de solidariedade entre as comunidades tradicionais e organizações que atuam no território.

 
No que diz respeito aos resultados apresentados pela WWF foi marcada para final de novembro,  no município de Itacarambi, a oficina de construção do Mapa Colaborativo, ação já apontada pelo projeto, com intuito de mapear as comunidades tradicionais presentes no território.

Esta solicitação de mapeamento das comunidades tradicionais, proposta pelo Conselho, demonstra a necessidade de conhecermos mais profundamente a região que trabalhamos. A intenção deste encaminhamento é provocar uma reflexão a partir da realidade existente no Mosaico, onde a presença de UCs e comunidades tradicionais - num arranjo sociopolítico - caminham juntos na preservação do Cerrado.


Foi apresentado pelo Instituto Rosa e Sertão o cronograma das ações do projeto Mosaico de  Turismo de Base Comunitária - pleiteado pelo Instituto Rosa e Sertão junto ao FNMA e Caixa Economica  Federal - ainda no aguardo da assinatura do convênio.

 
Seguido a apresentação foi eleito o Comitê de Acompanhamento dos Projetos  (Extrativismo pleiteado pela Coop. Sertão Veredas e Turismo de Base Comunitária) que terá por objetivo acompanhar a execução das ações de ambos os projetos, bem como, auxiliar e encaminhar sugestões.

Membros: Prefeitura de Itacarambi, Parque Nacional Grande Sertão Veredas, IEF, Caritas Diocesana de Januária, FUNATURA, Associação Agentes Ambientais do Peruaçu, Coop. SertãoVeredas e Instituto Rosa e Sertão.


Ao final da reunião foi falado sobre as experiências apresentadas no ACADEBIO e apresentado o site da Rede Mosaico - http://www.redemosaicos.com.br/ - para a divulgação das experiências que estão acontencendo por todo o Brasil.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Acenda a luz e me traga uma borracha: medos e inquientações

Caros leitores,

Este blog tem como objetivo apresentar as ações do Rosa e Sertão, mas também compartilhar das experiências, ações, notícias que acontecem no Sertão e no mundo a fora. E com o olhar nesta vida que muitas voltas dá.

Gostaria de pedir a vocês que compreendam alguns erros ortográficos e também de entendimento na passagem da notícia. Coisas que estamos aprendendo com o tempo e com a prática.

Como um desafio montamos este blog há três anos. Nem sabia por onde começar, mas sabia que seria um DESAFIO. Camila foi a nossa inspiradora ... Sempre atenta as leituras de blogs e sites que nem sabíamos que existia. Mas fomos em frente.

A vontade era de levar ao mundo um pouquinho deste cantinho de céu que moro e que tenho grande carinho.

Agora de longe, mesmo com a alma no Sertão, venho passando por um processo de transformação e também de reconhecimento do quanto é válido ter este sentimento de pertencimento ao meu lugar.

Como ele também venho mudando!

A partir deste ano outros posts serão aqui compartilhados no intuito de reflexão e como um movimento de chamar atenção para algumas lacunas ainda abertas em pensar este novo rural que está aqui em nossa frente. Este mix de Sertão e de modernidade assusta uns, mas "abobece" outros... Ficamos todos "abestalhados".

Quem é do lugar não perceber, quem está nas veredas também não. Isso acontece por que a beleza não é apenas uma forma de contemplação. Quanto mais perto do belo, mas natural ele fica. Assim somos nós que estamos num paraíso e que esquecemos de perceber o quanto ele é bonito. Foi também por isso que pensamos no blog.... Sempre lembrar que coisas muito bonitas acontecem e são deste lugar.

Então escrever não é nada bonito quando se tem medo. Mas medos são apenas visiveis quando a luz está apagada.

Se o Rosa vivo estivesse teria muito orgulho de ver estes sertanejos quebrando barreiras e vencendo seus medos! Tem um monte de gente boa aqui em Chapada escrevendo em blogs e sites .... Orkut, facebook e outros a parte. Mas o segredo é escrever.... Sem medo já dizia Camila.

A escrita era um medo que tinha, mas que ainda me assusta em noites frias.

Mas como disse uma professora minha: Cada pensamento uma frase, cada frase uma questão e cada questão se termina com um ponto de interrogação.

Assim que continuarei aqui.

A próxima postagem será sobre o que é escrever. Levantando algumas inquietações que surgiram após perceber que ESCREVER é um PODER, como a FALA e a ORATÓRIA também.

Vamos ver o que vai dar.

Um forte abraço e até lá.

Damiana Campos

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Encontro Regional de Pontos de Cultura do Norte e Noroeste de Minas Gerais- TEIA/2011

O Encontro Regional de Pontos de Cultura - TEIA - da região Norte e Noroeste de Minas já tem data marcada!

Será realizado durante o encontro "Feito Rosa para o Sertão" no distrito de Sagarana da cidade de Arinos/MG em setembro 2011.

O encontro tem por  objetivo apresentar as ações desenvolvidas pelo Pontos e debater as questões que pontuam a execução e articulação desta proposta a âmbito regional.
Através da articulação da  Rede de Pontos de Cultura de Minas, formada 2010 a partir do encontro TEIA Nacional a troca de entre os Pontos de Cultura se fortalece.

Trabalhar na coletividade não é tarefa fácil, mas aos poucos é percebido os ganhos imensuráveis.
Em breve programação completa do encontro.

O Ponto de Cultura Seu Duchim estará lá!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Oiê Cadê o Manzuá? Ainda está lá.

 Dona Lorença - Mudou-se da comunidade devido problemas de saúde, mas chora ao lembrar de sua morada.
Esta foto acima foi tirada na festa de comemoração na comunidade do ´Prêmio Culturas Populares/MinC - 2010

Grupo Manzuá na apresentação em São Jorge/GO.

Cadê o Manzuá? Ainda está lá: Comunidade Quilombola pede SOCORRO.


Foi assim que chamei a atenção do Grupo de Trabalho "Comunicação" do IV Encontro Nacional de Comunidades Quilombolas - CONAQ. Este grupo teve por objetivo elaborar encaminhamentos na temática Comunicação para que  as comunidades quilombolas tenham acesso aos meios comunicação e saibam o que se passa neste Brasil a fora.
Publiquei há um tempo atrás neste blog uma postagem que falava um pouco da história e dança do Manzuá da Comunidade Quilombola Retiro dos Bois. Mas voltarei aqui a fazer uma descrição curta, mas importante sobre a atual situação desta comunidade.

Retiro dos Bois  está a 60 km de distância do município de Chapada Gaúcha/MG, sendo 250 km da sua cidade Januária/MG - esta divisão é territorial.

O território desta comunidade pertence ao municipio de Januária que pelo percebido fica muito longe de seus moradores. Há uma luta abafada pelo tempo, isso já fazem 10 anos, que buscam pelo reconhecimento deste território como um chão povoado por GENTE e não apenas por terras soltas.

Esta busca incessante pela passagem da área das comunidades de Patos, Angical e comunidade quilombola Retiro dos Bois para administração do município de Chapada Gaúcha já deixou muita gente doente ou morrer sem ver uma solução. Mas isso não há solução! Além de um processo demorado o bem-querer fala mais alto e está história continua ...

Sempre que podemos tocamos no assunto, procuramos um ou outro para saber mais sobre tudo isso, mas até agora as notícias são as mesmas e as histórias também.

O fato é: não há uma política pública e assistência as comunidades que estão  a mais 250 km de sua cidade. Acreditando que isso aconteça na cidade. Pergunto:

Como pensar uma  logísitca de Assistência médica e Agentes de Saúde Rural pelo menos 1 vez por semana?
Merenda escolar de qualidade pelo sistema do PAA?
Professores capacitados e bem remunerados dando aula em um ambiente satifatório?
Alunos com uma infraestrutura que garanta a sua permanência na escola e uma boa aula que abram os olhos para um mundo melhor lá?
Como dizer a estas pessoas que estão num paraíso, onde o Rio Carinhanha é o seu maior tesouro, sendo que são humilhados e sem chão quando pedem assistência básica e de direito garantido pela constituição? Como garantir que grandes fazendeiros não comprem estas terras por preços abaixo do valor de mercado, sendo que o valor que deveriam ter era apenas de serem reconhecidos como GENTE? E agora?

Este fato é dado por muitos moradores de Chapada e também por aqueles que são “parentes”. Muitos são sabedores da interferência nas relações sociais não apenas como deslocamento  físico, mas também psíquicas e morais.

Mas é percebido também na fala de alguns moradores da região que o pertencimento a esta terra e sua identidade territorial depende não somente de suas mãos ou vozes:

"Se é tempo de política muitos são Chapada Gaúcha, se é tempo de doença são Januária, mas não dá tempo de chegar até lá e precisam ser Chapada, mas agora tão dizendo que a gente não pode mais ser de Chapada por causa do cartão SUS. Este trem não tá certo não, como é que eu vou lá para Januária se eu tô doente minha irmã?". (moradora da comunidade Retiro dos Bois)

Outro caso de um morador de 60 anos sobre a dificuldade de logística territorial:

"Eu tô pra tirar uma chapra e não posso mais, por que disseram que só atende emergência, agora eu tenho que morrer pra me atender". (morador da comunidade quilombola Retiro dos Bois)

Esta situação é diária no Posto Médico de Chapada Gaúcha que ainda faz muito para com a comunidade, mas devido à burocracia e por entender que cada município é responsável pelos seus moradores, não atendem mais.
Procurando funcionários do Centro Médico  fomos informados que: "Devido novo Sistema, este informatizado e que libera os encaminhamentos para exames e consultas fora do município, todos os cadastrados pelo município de Januária tem que encaminhar seus exames para serem feitos no próprio município que faz parte e que apenas casos emergenciais poderiam ser realizados aqui".

Foi ainda apresentado o acordo entre a  Prefeitura de Januária e Prefeitura de Chapada Gaúcha que incluí apenas o direito de atendimento de UM paciente ao mês para consutas e exames. Isso sim é um desagravo aos direitos constitucionais.

Os moradores pedem SOCORRO!!!

Não podemos deixar isso acontecer com uma comunidade que é referencia cultural e que encanta a todos com sua alegria e seus tambores. As violas estão de luto mais uma vez.

Há um quase um ano a comunidade aguarda retorno sobre a morte de um dos moradores da comunidade - brutalmente morto com 8 tiros por um sargento da PM a paisana numa festa da cidade - este caso também sem notícias ou mesmo soluções.

Já não existe formas de se pensar o isolamento como "desculpa". Estar isolado hoje é não ter os seus direitos garantidos.
Estas ações e acontecimentos somente levam a auto-estima a nível zero, mas mesmo assim eles ainda continuam a cantar:

Oiê cadê o Manzuá?

Ainda está lá.



Texto: Damiana Campos

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

IV Encontro Nacional de Comunidades Quilombolas

Rio sedia 4º Encontro Nacional das Comunidades Quilombolas


01/08/2011 - 17:38h - Atualizado em 01/08/2011 - 17:38h

A Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) e ONG ESPADS realizam, entre os dias 3 e 7 de agosto, no Rio de Janeiro, o 4º Encontro Nacional das Comunidades Quilombolas. Durante o evento ocorrerá o pré- lançamento da Campanha em Defesa dos Direitos Quilombolas.

A solenidade de abertura será realizada às 18 horas do dia 3, no Plenário da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, e terá seguimento com um Café na Roça, às 19h30 e uma noite cultural com Roda de Jongo, às 21 horas.

Na quinta-feira, dia 4, as atividade do encontro serão realizadas no 5º andar do prédio central da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Os trabalhos terão início às 8h com a leitura e aprovação do regimento interno. Às 10 horas, o subsecretário geral das Nações Unidas, Carlos Lopes, apresentará o tema ‘O Estado Brasileiro e o Tratamento das Questões Etno Raciais’, que terá como mediador o coordenador executivo da CONAQ, Ivo Fonseca da Silva.

À tarde, serão debatidas as ‘Políticas Públicas para as Comunidades Quilombolas'. O tema será apresentado por representantes do Ministério da Saúde, da Fundação Cultural Palmares, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), e o professor doutor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), José Jairo Vieira. O debate será mediado pelo coordenador executivo da CONAQ, Ronaldo dos Santos.

Na sexta-feira, dia 5, o encontro recomeça às 8 horas, com a palestra ‘Movimentos Sociais: Organicidade do CONAQ, que será apresentada pelo professor doutor da Universidade Federal da Amazônia e coordenador do Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia, Alfredo Wagner. Em seguida serão realizados os grupos de trabalho com os seguintes temas: Organicidade da CONAQ e Rede de apoio ao Movimento Quilombola.

No dia 6 as atividades se iniciam às 8 horas, com a apresentação dos grupos de trabalho, realizados no dia anterior. À tarde haverá debate e encaminhamentos. O evento se encerra às 20 horas, com o pré-lançamento da Campanha em Defesa dos Direitos Quilombolas.

Fonte: http://www.rj.gov.br/web/seasdh/exibeconteudo?article-id=560554

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Links para assistir o filme "O veneno está na Mesa" de Sílvio Tendler

Link para o Filme:“O Veneno Está na Mesa” de Sílvio Tendler.


Parte - 1 http://www.youtube.com/watch?v=WYUn7Q5cpJ8&NR=1



Parte - 2 http://www.youtube.com/watch?v=NdBmSkVHu2s&feature=related



Parte - 3 http://www.youtube.com/watch?v=5EBJKZfZSlc&feature=related



Parte - 4 http://www.youtube.com/watch?v=AdD3VPCXWJA&feature=related

O veneno está nas telas -

O veneno está nas telas


30/7/2011 22:30, Por Blog do Miro


Por Leandro Uchoas, no jornal Brasil de Fato:O cenário era perfeito. Como palco, o Teatro Casa Grande, no Leblon, onde se deram alguns dos momentos mais importantes da resistência à ditadura. O filme, “O Veneno Está na Mesa”, uma bela síntese do trágico efeito à agricultura brasileira do uso de agrotóxicos. Como diretor, ninguém menos do que Sílvio Tendler, autor de clássicos como “Encontro com Milton Santos ou o Mundo Global Visto do Lado de Cá”. Para completar, o auditório de 500 lugares completamente tomado por um público ávido por fazer soar, em todo o país, as denúncias acachapantes do longa. O lançamento do aguardado filme na segunda-feira (25) teve a pompa que merecia.As imagens começam com a denúncia mais terrível. Cada brasileiro consome, em média, 5,2 litros de agrotóxicos por ano. Desde 2008, nenhum outro povo, no mundo, consome tanto veneno.

Logo nos primeiros 10 minutos, de um total de 50, sucedem-se denúncias assombrosas. Duas das empresas que produzem os agrotóxicos, Monsanto e Dow, produziram o agente laranja que os Estados Unidos lançaram sobre o Vietnã, exterminando milhões de vidas. Outras duas, Basf e Bayer, foram parceiras dos nazistas na produção dos químicos para exterminar povos considerados inferiores, como os judeus. Na voz de André Trigueiro, da Rede Globo, denúncias num tom de indignação incomum ao usualmente cordial jornalista: o metamidofós, princípio ativo proibido nos Estados Unidos, na Europa, na China e em boa parte da África é utilizado livremente no Brasil, que ainda decide se vai proibi-lo.Parte da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, o filme foi produzido com dificuldade, com a ajuda de movimentos sociais, ongs e instituições de saúde. Para alguns intelectuais, pesquisadores e lideranças, funcionou como uma denúncia desesperada, a ser propagada aos quatro ventos. A distribuição do material será feita a baixo custo. Segundo o diretor, a ideia inicial surgiu durante conversa pessoal com o escritor uruguaio Eduardo Galeano, e ganhou força em um encontro posterior com João Pedro Stedile, do MST. Bastou, em seguida, o contato com a Campanha.O filme também traz um depoimento da senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação Nacional de Agricultura (CNA). A parlamentar é a figura mais importante do agronegócio no Congresso Nacional. Todos os movimentos políticos da CNA, seja de estímulo ao avanço degradante e criminoso do agronegócio, ou de criminalização dos movimentos sociais, passam por ela. Apesar de desnecessariamente longa, a exibição da fala serviu de síntese dos argumentos utilizados pela direita.

Ela defende que o Brasil não se sustentaria sem o uso de agrotóxicos. Não explica, portanto, como os outros países do mundo consomem menos agrotóxico, mesmo sem contar com nossos incomparáveis recursos naturais. Nem dá pistas de como a humanidade se sustentou nos dez mil anos em que plantou e colheu sem uso de veneno.O filme termina apontando saídas. A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, estaria tomando medidas muito mais ousadas no sentido de impedir o avanço do agronegócio em seu país. E o jovem agricultor Adonai dá exemplo de luta contra as dificuldades para plantar e vender alimentos orgânicos (sem uso de agrotóxicos). Ele recusa os créditos bancários que lhe possibilitariam maior conforto, porque os bancos praticamente exigem uso de agrotóxicos. O filme mostra como, ao longo de três anos, Adonai recuperou um tipo de milho tradicional, através de experiências com as sementes, que lhe permitiram seguir apostando no orgânico.A mensagem do agricultor Fernando Ataliba, de Indaiatuba (SP), sintetiza, em parte, o que representa a aposta do Brasil no agronegócio, que tem persistido mesmo com diferentes grupos políticos à frente do governo federal. “O que a Revolução Verde fez foi destruir e apagar todo o acúmulo de conhecimento da agricultura tradicional ao longo de seus dez mil anos, criando um negócio totalmente novo. E essa ‘novidade’, depois de tantos anos, está demonstrando que ela não dá certo. Ela está produzindo perda da produtividade do solo, perda dos mananciais, perda da biodiversidade, contaminação do solo, das águas, das pessoas, do ar, e mudanças climáticas. O que mais nós vamos esperar acontecer para a gente perceber que esse modelo ‘novo’ não é bom?”, pergunta.O debate que sucedeu a exibição do filme funcionou como complemento as informações divulgadas. Os debatedores estavam tomados por uma emoção pouco comum. A razão é simples. As denúncias que o trabalho de Tendler trazem, apesar da notória gravidade, não encontram o espaço que merecem no debate social. Os motivos, o próprio filme mostra. As megacorporações por trás do agronegócio, com seu lucro astronômico – US$ 7 bilhões apenas em 2010 –, compram institutos de pesquisa, “seduzem” parlamentares através de financiamento de campanha, e calam setores da mídia. O resultado é que boa parte da população brasileira simplesmente desconhece que, todos os dias, tem venenos terríveis dentro de seu prato. A emoção de debatedores e parte do público era a de ver esses absurdos divulgados. Logo no início das falas, Tendler chorou.“Esse mercado é concentrado, mundialmente, nas mãos de apenas 13 empresas. E seis delas controlam mais de 60% dele. A soma do patrimônio das três maiores supera o PIB da maioria dos países do mundo – apenas 70 deles não têm PIB menor” acusa Letícia Rodrigues da Silva, coordenadora do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos da Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A pesquisadora também denunciou a estratégia de judicialização utilizada pelas principais multinacionais da agroindústria. Utilizando recursos na Justiça, as empresas vão protelando as decisões, e permanecem com seu mecanismo nefasto de monopólio do setor.

O pesquisador Alexandre Pessoa, da Fiocruz, fez um paralelo das ideias apresentadas pelo filme com a realização, no Rio de Janeiro, em 2012, da Rio+20. Ele considera que, na conferência, as megacorporações vão apresentar falsas soluções à crise ambiental, preservando o mesmo modelo de exploração massiva de recursos. Para Nívia Regina, do MST, “o filme é a maturidade de um longo processo de luta, porque critica a hegemonia do paradigma produtivista. Temos que construir uma outra hegemonia, com base na agroecologia”. Nívia terminou sua intervenção conclamando a todos para que divulguem, amplamente, o filme de Tendler.

Publicado no site: http://correiodobrasil.com.br/o-veneno-esta-nas-telas-2/276226/

sábado, 16 de julho de 2011

Caixas de Reis - Sons e histórias

Ponto de Cultura Seu Duchim

Sobre a oficina e seu objeto: “Orquestra de Caixas: sons e histórias na arte de fazer e tocar tambores”, trabalharemos principalmente com o objetivo de estimular o espírito da Folia nos meninos e meninas da cidade, esta arte musical de cunho religioso tradicionalmente tocada em cumprimento a alguma promessa nas comunidades rurais de nossa região. Atualmente, os santos para os quais mais se dedicam as Folias são: Santos Reis, Divino Espírito Santo, Nossa Senhora, São Miguel e Santa Luzia. No entanto, a tradição de afinar caixas, pandeiros, violas, rabecas, vozes e violões em homenagem a um santo tem encontrado dificuldades em agregar os mais jovens a ternos de foliões. Esta Oficina busca atuar nesse sentido, ao trabalhar com os alunos as esferas do fazer, tocar e contar associadas às Folias. O processo do fazer será dedicado à confecção de caixas, instrumento de percussão fundamental na Folia; o tocar ensinará aos alunos o ofício de lidar com este instrumento de forma ampla, integrando canto, ritmo e afinação; e o contar é parte fundamental na valorização simbólica do fazer-tocar, pois dará um sentido histórico e social ao ser folião. ( Camila Medeiros - Projeto Ponto de Cultura Seu Duchim)

 Ritmica e sons - Meninas e suas caixas - Coordenação Fabiana Lima, Bruno Andrade e Griô Sebastião
Caixeras e ritmo - Sentido a caixa

Video produzido durante a realização das oficinas - Diana Campos

Realização: Instituto Rosa e Sertão/Ponto de Cultura Seu Duchim
Parceria: Governo Federal/Minc - Programa Pontos de Cultura, Governo de Minas Gerais, SEC - Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais

Oficina de Audio Visual - Causos do Sertão

A oficina coordenada por Geraldo Pereira e Ana Carneiro foi apresentada aos participantes como sendo o marco inaugural dos trabalhos de audiovisual do Instituto Rosa e Sertão, sugerindo desde o primeiro momento processos de continuidade.

Os dez dias de oficina foram divididos em três etapas:
1. Pré-produção – dias 23 e 24 de junho: etapa destinada à apresentação dos participantes, à introdução da prática audiovisual e à preparação das gravações.

2. Produção – dias 25 a 27 de junho: etapa destinada à gravação dos vídeos.

3. Pós-produção – dias 28 a 30 de junho e 01 e 02 de julho: etapa destinada à análise do material gravado, decupagem e edição.

O método de trabalho centrou-se na experiência prática como campo de aprendizagem. Toda reflexão partiu de um dado prático trazido pelo grupo. Buscou-se evidenciar processos de intimidade entre os participantes e as atividades propostas solicitando imagens à memória afetiva de cada um, fossem elas da televisão, do dvd, da fotografia, da página de revista ou do dia a dia comum. A mim coube fazer parte da equipe como supervisor, orientador e também como realizador.




Roda de Prosa
O grupo de participantes foi composto por dez pessoas, com idades entre 15 e 50 anos, com formações escolares diversas, selecionadas pelo grupo de monitores em data anterior ao início da oficina.
A temática das gravações também foi definida em reunião anterior ao início da oficina pelo grupo de monitores: gravaríamos os “causos” ou os “contadores de causos” da região.


D. Edith - contadora de causo

Os “contadores de causos” foram selecionados pela monitoria da oficina em data anterior ao início do curso: três senhores e duas senhoras, moradores antigos do município, foram avisados previamente da gravação com o grupo de participantes.

D. Lili - Contadora de Causo

Realização: Instituto Rosa e Sertão/Ponto de Cultura Seu Duchim
Parceria: Governo Federal - MinC, Programa Ponto de Cultura, Governo de Minas Gerais - SEC - Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais

Oficinas do Ponto de Cultura Seu Duchim - Outras Rosas em Rosa

Oficina de Dança - Produção

Objeto da Oficina de Dança: Com a Oficina de “Danças Tradicionais-Contemporâneas” pretende-se formar um corpo de dança local que articule as danças tradicionais da região com danças contemporâneas sugeridas pelos alunos. A dança é um modo de expressão fértil para se promover o diálogo entre a diversidade e tem o potencial de trabalhar a capacidade de criação, imaginação, sensação e percepção, integrando o conhecimento corporal e intelectual. Ao estimular um processo educacional que valorize a pluralidade cultural e a diferença, esta Oficina busca também explorar o conhecimento dos processos históricos, coreográficos, estéticos e sociais relacionados às danças trabalhadas. Sendo a cultura popular local um dos principais ingredientes desta Oficina, acreditamos que, através da criação corporal, será possível imprimir um comprometimento dos bailarinos com as formas de expressão cultural não-hegemônicas (Camila Medeiros - Projeto Ponto de Cultura Seu Duchim).

Preparação das cenas - Coordenação Ladyjane
Miguilim e o Sertão

 Elementos cênicos e o colorido do Sertão
 Alunas trabalhando expressão corporal
Ensaio na Rua

 Grupo de Dança
Cores e Sons
O espetáculo foi apresentado no X Encontro dos Povos do Grande Sertão Veredas e contou com a junção das oficinas de Tambores e Caixas de Reis, Manuelzinho-da-Crôa  e Audio  Visual.

Realização: Instituto Rosa e Sertão/Ponto de Cultura Seu Duchim
Parceria: Governo Federal, MinC, Programa Pontos de Cultura, Governo de Minas Gerais, Secretaria de Estado de Cultura

domingo, 26 de junho de 2011

X Encontro dos Povos do Grande Sertão Veredas

Estaremos lá com toda a alegria - Rosa e Sertão - Com as caixas de Reis, Causos, Danças e muita música.

Este ano é especial na vida de todos nós idealizadores, moradores desta terra e, como já dizia Rosa, os "estrangeiros" aqueles que passam e deixam saudade.

O Encontro dos Povos do Grande SertãoVeredas idealizado em 2001 pela Funatura e desde então abraçado pela comunidade veio marcar a presença da cultura norte-mineira neste "espaço adverso" da sede do munícipio de Chapada Gaúcha/MG. Espaço rural de origem sulesca com seus tratores e monocultivos.

Com o objetivo valorizar a cultura sertaneja trazendo para sede da cidade os fazedores de cultura das comunidades tradicionais fortalecendo  os laços intercomunitários. Estes moradores viviam cada um no seu "lugar" com seus laços afetivos, festivos e de trabalho. Trazendo para perto de cada um dos participantes sua produção e seu modo de "festar" e suas crenças.

Este encontro proporcionou também o encontro não somente com os moradores da sede, mas também com seus próprios vizinhos de comunidade. Não me esqueço do dia que ouvi de um dos participantes: "Moço esta dança de São Gonçalo é bonita mesmo, tão pertim e eu não conheci". Remetendo-se a dança do grupo de Serra das Araras - distrito de Chapada Gaúcha/MG.

O Encontro nos provocar e permiti as trocas e encontros num ambiente fervente de "culturas" e "prosa".
Estar no Encontro dos Povos do Grande Sertão Veredas é estar em cada pedacinho deste município no mesmo tempo e espaço. Instigante pelas histórias de luta, histórias de assombração, história de um Cerrado.

Celebra os "espaços de cultura" - Se por um lado o CTG recebe o "povo do sertão" ao seu jeito o Encontro dos Povos do Grande Sertão Veredas recebe as pessoas qque ão e se identificam com este SERTÃO.

Estarei lá!

Junho mês de fogueira, festa e oficinas no Ponto de Cultura Seu Duchim - Instituto Rosa e Sertão

Neste mês de junho as fogueiras de São João e Festa de Serra das Araras alegram o meu Sertão.


Não poderia ser diferente no Ponto de Cultura Seu Duchim. Um 'cadim' de notícia boa deste nosso Sertaõ:
Início de junho aconteceu II Arraiá Manuelzinho-da-Crôa e Meio Ambiente. Comemorando o dia Do Meio Ambiente a comunidade Chapadeira animou a festa junto com os manuelzinhos-da-Crôa. Muita roupa coloridas, sorrisos e estripulias. - Coordenadores: Povo do Rosa - Márcia, Bergues, Vitória,  Tiana, Marilene, Ambrosina, Mária, D. Vera, Manoel, Diana, Daiana -

No meio deste tempo o Canto-Coral Manuelzinho-da- Crôa não parou - coordenado pelas musicistas Diana e Daiana Campos - o coral vem trabalhando músicas do imaginário infantil e das brincadeiras de Reis. Será a base para o espetáculo "Outras Rosas em Rosa" com estréia marcada para dia 8 de julho no X Encontro dos Povos do Grande Sertão Veredas - Chapada Gaúcha/MG.

Na semana de 12 a 18 e 20 a 23 de junho Caixas de Reis batem sem parar com o Griô Sebastião - coordenados por Sebastião, Fabiana Lima e Diana Campos - Oficina Tambores - formação da Orquestra de Caixas de Folia.

E agora, agorinha mesmo as meninas dançam a melodia dos brinquedos de tradição - Reis e Terreiro com o pé no chão - coordenado por Ledjane e Daiana Campos- preparam o espetáculo “Outras Rosas em Rosa".

Sem falar que na turma do audiovisual - coordenados por Geraldo e Ana Carneiro - acompanham o movimento desta efervescência toda e mais o rastro e os causos dos contadores de causo. - Oficina Educando Olhares

Tudo isso e mais um pouco - Logo, logo fotinhas para dar um gostinho de quero mais.

Saudades deste Sertão meu ....
PARABÉNS!!!!!


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Parceiros: Governo de Minas Gerais - Secretaria de Estado de Cultura, Governo Federal - MINC - Pontos de Cultura.