quinta-feira, 22 de julho de 2010

Encontro dos Povos do Grande Sertão Veredas

O Encontro dos Povos do Grande Sertão Veredas em sua nona edição trouxe muitos encontros que representaram a magia e significado desta celebração.
Este registro, no stand do Ponto de Cultura Seu Duchim,  foi durante a produção da apresentação dos Manuelzinhos da Crôa - Cantos do Grande Sertão e Cantigas e músicas tradicionais.

Desde sua primeira edição em 2002, idealizado  pela Funatura, o Encontro dos Povos do Grande Sertão Veredas vem firmando sua identidade e valorizando a cultura sertaneja.
O Ponto de Cultura Seu Duchim e Instituto Rosa e Sertão contribuiu neste colorido e animado encontro com a programação de oficinas e ensaios durante o evento.
Com ensaios com os musistas o stand do Ponto de Cultura foi regado com muita música e sons.
Além da música e da arte o Rosa e Sertão conduziu as discussões da mesa redonda “Turismo de Base Comunitária - uma das metas do projeto Arara Vermelha em parceria com a SEMAD - Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais - moderada pela presidente do Instituto Rosa e Sertão Márcia Regina Silva Pena.


Durante este debate foram apresentados os resultados dos trabalhos já desenvolvidos na região dentre eles: Projeto Arara Vermelha - Damiana Campos, coordenadora do Instituto Rosa e Sertão, Mosaico Sertão Veredas - Peruaçu - Cesar Victor do Espírito Santo, FUNATURA e Experiência com casas receptoras no Vão dos Buracos - Paulo Gomes, morador e guia da Comunidade Buracos.

Alguns encaminhamentos foram propostos dentre eles: Reunião com a rede hoteleira e comerciante para encaminhar documento ao MMA e Instituto Chico Mendes de Biodiversidade contendo uma nova visão de avaliação para aprovação de Chapada Gaúcha na rota da Copa-Parque Nacional; Elaboração de um documento apresentando o Circuito de Turismo de Base Comunitária da região do Grande Sertão Veredas.

Estes dois documentos serão de grande valia para mostrar o tipo de turismo que a região do entorno do Parque Nacional realmente acredita.

Esta reunião está prevista para o segundo semestre do mês de agosto de 2010.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Arraiá Manuelzinho da Crôa - Parte 1 E 2


Turma do Manuelzinho de quinta feira - Céu e Estrela

Foi com grande prazer que realizamos o “I Arraiá Manuelzinho-da-Crôa” na sede do Ponto de Cultura Seu Duchim.


A realização desta festa contou com três momentos que terei o prazer de descrever a todos vocês.



Organização e mobilização dos Manuelzinhos:

Durante este tempo reunimos os 82 mauelzinhos para organizarmos nossa Festa Junina. Neste momento vimos o quanto estas crianças são especiais. Logo foram falando que não tinham par para dançar. " Eu não vou ser homem tia" Já falou uma manuelzinha. O pior de tudo é que realmente eles estavam certos, ou melhor, elas. No projeto Manuelzinho-da-Crôa contamos com mais meninas do que meninos e isso é um problema para uma festa junina tradicional.

O melhor jeito foi fazer uma quadrilha ambiental, já que o dia escolhido para a festa foi o dia 05 de junho de 2010 – Dia Mundial do Meio Ambiente. “ Na nossa quadrilha não terá damas e nem cavalheiros, e sim, Sol e Lua e Estrela e Céu”.  "Vamos celebrar este céu maravilhoso de Chapada e vocês serão o Céu e a Estrela juntinhos". Falei para turminha de quinta-feira e vocês lindos e maravilhosos como o Sol e a Lua". Com esta novidade resolvemos o problema.

Que comecem os preparativos!

Prêmio Pontos de Valor SCC/MIC e PNUD e Instituto Rosa e Sertão

 Parte II - Produção

Os preparativos para o Arraiá foram feitos de modo coletivo. Todos do Rosa deram sua contribuição.
Como todos no projeto Manuelzinho são voluntários as coisas pesaram durante a produção. Mas os alunos do Manuelzinho-da-Crôa deram um show.

Subdividimos as equipes:
Convites;
Organização;
Ensaio;
Pronto!
Eles deram conta de tudo!

Rosa e Sertão realiza Oficina de Educação Ambiental durante a Festa de Serra das Araras

Educação para vida através da Educação Ambiental.

Para o desenvolvimento da oficina de Educação Ambiental para educadores da Escola Estadual Serra das Araras foi realizada visita in loco para planejamento das atividades e reconhecimento das trilhas e do potencial ecocultural e pedagógico do distrito de Serra das Araras.
A trilha escolhida foi à trilha do Morro do Fogo, comunidade tradicional localizada a 8 quilômetros do distrito. Nesta caminhada foram detectados pontos de descanso, visita a moradores tradicionais, pontos de banhos e veredas. Este caminho, sempre margeado, pelo Rio Catarina é maravilhoso!
Esta visita foi coordenada pela bióloga Cristiane que contou com a participação da Geógrafa e professora da escola Jerusa e da pedagoga Márcia Pena.

No dia 08 de junho de 2010 no distrito de Serra das Araras foi realizada em parceria com IEF e Escola Estadual Serra das Araras a II Oficina de Educação Ambiental do projeto Arara Vermelha. Esta oficina teve como objetivo levantar as ações de Educação Ambiental realizadas pela escola e construção do Plano de Educação Ambiental: Sustentabilidade e Trilha Ecocultural do entorno do PESA – Parque Estadual de Serra das Araras.

Durante a oficina os educadores levaram vários projetos desenvolvidos ao longo dos anos de 2008 e 2009 com vários temas e repensaram a sua postura pedagógica com relação à continuação das ações. “Não sei mais o que faço, pois a gente sabe fazer os projetos, mobiliza a comunidade, mas a gente não consegue sozinha” Diz a professora de Geografia Jerusa.

O debate esquentou quando foi citado o projeto coordenado pela professora Jerusa Verônica Silva que teve como objetivo mobilizar a comunidade para construção da Agenda 21 Local e encaminhar soluções práticas para o desenvolvimento do distrito de Serra das Araras. Todos falaram sobre cada item da Agenda 21 construída em 2008, mas que ainda permanecia apenas no papel e levantaram soluções para colocar o projeto em prática. " Não adianta a escola escrever o projeto, mobilizar a comunidade se o poder público não ajudar, este trabalho tem que ser junto". Explicou a professora. Ainda sobre as ações ela falou: " A questão do lixão aqui da Serra, ele fica no perimetro urbano, ao lado da casa da professora de Ciências, antes ficava na margem do Rio Feio. Já ligamos, mandamos ofício e nada. Vamos tentar novamente".

Após a oficina com os educadores colocamos em em pratica duas ações da Agenda 21 Local, durante a  Romaria de Santo Antonio, mais conhecida como Festa de Serra das Araras. Esta festa acontece há mais de 100 anos durante o mês de junho recebendo  aproximadamente 15 mil pessoas causando um forte impacto ambiental devido a produção de lixo no distrito e na trilha até a Serra das Araras – local tradicionalmente visitado para pagamento de promessas dos romeiros.

As atividades realizadas nos dias 09 e 10 junho foram ligadas a questão de conscientização ambiental com os barraqueiros e comerciantes que contou com distribuição de sacos de lixo, cedidos pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e oficinas para crianças e adolescentes durante as Ruas de Cultura.

Esta iniciativa fez a diferença!

A educação ambiental não é feita somente de ações imediatas, mas conta com o trabalho contínuo de quem acredita em um mundo melhor.Uma semana após a festa de Serra das Araras ainda encontramos muito lixo no distrito como: cabeças de gado e ossos jogados pelo rio Catarina, garrafa de cerveja, plástico. Mas isso já foi pior! " Já foi encontrado aqui mais de 20 cabeças de gado morto na beira da Catarina" Diz um adolescente participante da Oficina de Ecoturismo. " Isso ai foi os romeiros que matam para comer durante a festa" justificou um professor da escola.
Agradecemos a todos que fizeram parte deste trabalho. Em especial: aos meninos e meninas do Pró Jovem e coordenadora Vera, as Professoras das Séries Iniciais e do Ensino Fundamental, a Direção e Supervisão da Escola Estadual Serra das Araras, ao IEF, a Igreja Santo Antonio, as Meninas do Rosa e Sertão e Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

Planejamento das atividades de Educação Ambiental em Serra das Araras

Reunião preparatória para atividades da Oficina de Educação Ambiental
Planejamento das atividades da Oficina de Educação Ambiental para Educadores
Rio Catarina - Trilha Morro do Fogo

Para o desenvolvimento da oficina de Educação Ambiental para educadores da Escola Estadual Serra das Araras - Projeto Arara Vermelha/ Instituto Rosa e Sertão e SEMAD - foi realizada oficina preparatória para planejamento das atividades, reconhecimento das trilhas e levantamento do potencial ecocultural/pedagógico do distrito de Serra das Araras/MG.


A trilha escolhida para realização das atividades foi a "Trilha Morro do Fogo" da comunidade tradicional Morro do Fogo localizada a 8 quilometros do distrito de Serra das Araras. Durante a caminhada foram detectados pontos de descanso, visita a moradores tradicionais, pontos de banhos e veredas. Este caminho, sempre margeado, pelo Rio Catarina é maravilhoso!

Esta visita foi coordenada pela bióloga Cristiane que contou com a participação da Geógrafa e professora da escola de Serra das Araras Jerusa, professor Toninho e da pedagoga Márcia Pena.

Projeto: Arara Vermelha: das nascentes preservadas ao Turismo de Base Comunitário.
Convênio: Instituto Rosa e Sertão e SEMAD - Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável
Convênio: Novembro de 2009 a Novembro de 2010

terça-feira, 20 de abril de 2010

Ações do projeto Arara Vermelha

Instituto Rosa e Sertão realiza Oficina de Ecoturismo para guias no entorno do Parque Estadual de Serra das Araras e Educação Ambiental no distrito de Serra das Araras.

 

Aconteceu nos dias 15 a 18 de abril no distrito de Serra das Araras a Oficina sobre Ecoturismo para guias do entorno do PESA - Parque Estadual de Serra das Araras, com objetivo de aprofundar nos temas sobre unidades de conservação (histórico do PESA e sua importância), histórico e histórias do lugar e troca de experiências entre os guias das comunidades: Buracos, Buraquinhos, Morro do Fogo e Serra das Araras. A oficina foi conduzida pelo Instituto Rosa e Sertão em parceria com o IEF – Serra das Araras.

Neste módulo os participantes, além da parte teórica, realizaram uma caminhada de reconhecimento e observação da Reserva Extrativista Veredas do Acari, entorno do PESA, que contou com palestras sobre as belezas naturais e também sobre o sério impacto causado pelo gado solto nas Veredas. Esta prática foi conduzida pelo Gerente do PESA – Parque Estadual de Serra das Araras Cícero de Barros Sá. (Foto1). Para enriquecimento do trabalho de Educação Ambiental foi realizado na praça da Igreja em Serra das Araras a Rua de Lazer: “ Cerrado em Cultura no meio da Rua” com a coordenação das arte-educadoras do Ponto de Cultura Seu Duchim: espaço geral de folias artevideomusicais de Chapada Gaúcha.

Na continuação da oficina de Ecoturismo será realizado uma segunda prática com os guias locais na “Caminhada Ecocultural Vão dos Buracos”, no dia 25/04 com saída marcada para 6:00 de Chapada Gaúcha. “Este trabalho de valorização dos roteiros turísticos pelos moradores da cidade de Chapada é de extrema importância para o desenvolvimento do turismo e também para a comunidade beneficiada”, diz Anderson Lopes, consultor e idealizador da primeira caminhada Ecocultural no município.

Este primeiro módulo é uma das metas do projeto Arara Vermelha: das nascentes preservadas ao turismo de base comunitário é realizado pelo Instituto Rosa e Sertão em parceria com a SEMAD – Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais. Tem como foco o ecodesenvolvimento de 5 comunidades interligadas por suas histórias, vivências, belezas cênicas e também por problemas ambientais sofridos ao longo dos anos. Este trabalho terá como foco o Turismo de Base Comunitária e as experiências e estudos de trabalhos já realizados na região que fomentaram a discussão, em 2003, na Implementação do Plano de Desenvolvimento Sustentável do Entorno do Parque Nacional Grande Sertão Veredas- realizado pela FUNATURA e também o DTBC – Plano de Desenvolvimento Territorial de Base Conservacionista do Mosaico Sertão Veredas- Peruaçu, 2008 – FUNATURA. O público-alvo constitui-se nas comunidades tradicionais do entorno do Parque Estadual Serra das Araras – Buracos, Buraquinhos, Morro do Fogo, Pequi e distrito de Serra das Araras –, todas pertencentes à zona rural do município de Chapada Gaúcha/MG.

A idéia do turismo de base comunitária é a de oferecer ao visitante o ambiente do modo de vida na roça, dando-lhe a possibilidade de desfrutar da culinária de fogão à lenha, da famosa prosa mineira e de outros atrativos e curiosidades que deram matéria prima à literatura Roseana, despertando até hoje vasto interesse de quem chega de fora. Em oposição ao turismo de massa, este tipo de turismo tem a vantagem de estar diretamente vinculado à manutenção do modo de vida local, aliando geração de renda, preservação ambiental e valorização da identidade cultural.

Parceiros locais: IEF – Serra das Araras, FUNATURA, Escola Estadual de Serra das Araras, Associações Comunitárias de Buraquinhos, Pequi e Morro do Fogo e Prefeitura Municipal Chapada Gaúcha.


Rua de Cultura com Arte-Educadoras do Ponto de Cultura Seu Duchim




Apresentação de Teatro: "Macaco Simão"        
Créditos: Fotos: Damiana Campos
Texto: Ana Carneiro, Camila Medeiros e Damiana Campos

quinta-feira, 1 de abril de 2010

I SEMANA DE ARTE E CULTURA DO PONTO DE CULTURA SEU DUCHIM:ESPAÇO GERAL DE FOLIAS ARTEVIDEOMUSICAIS

Durante a  semana de 18 a 25 de abril de 2010 o Ponto de Cultura Seu Duchim: Espaço Geral de Folias Artevideomusicais e Instituto Rosa e Sertão através do Prêmio Pontos de Valor - Governo Federal -Ministério da Cultura/SCC e PNUD em parceira com a Secretaria de Educação e Cultura e Secretaria de Ação Social, realizaram a I Semana de Arte e Cultura juntamente com os Mauelzinhos-da-Crôa e comunidade no município de Chapada Gaúcha/MG. Esta semana fortaleceu ainda mais o trabalho coletivo e voluntário do Projeto Manuelzinho-da-Crôa, com sua extensa  programação que contou com oficinas de Desenho, Arte e Cultura e Música coordenada pelo Ponto de Cultura e com a participação especial da artísta plástica Anouk Pittet.

Oficina de desenho coletivo


Participaram cerca de 100 pessoas entre 04 a 50 anos com atividades de criação e frição de desenhos a partir de Mandalas, História Coletiva, Música, Confecção de Marionetes a partir dos Resíduos Sólidos, Gincana Ecológica Manuelzinho-da-Crôa, Rua de Cultura e como fechamento de suas atividades os Manuelzinhos, em forma de Cortejo, encantaram as ruas da cidade com  música,  brinquedos cantados e ciranda.


Oficina de Desenho criativo através de Mandalas -
Contamos com a participação: Comunidade e Professores do PET ( Serra das Araras, Chapada Gaúcha, Distrito Bom Jesus), Professores da E.E.Santo Agostinho.


O Ponto de Cultura Seu Duchim continuará com está iniciativa no mês de maio contando com o intercâmbio de Pontos de Cultura com as oficineiras Laís Eveline, artista e pintora Naif e Tânia, contadora de Contos e Causos, do Ponto de Cultura Centro de Artesanato de Januária/MG.
Manuelzinhos-da-Crôa
-
Oficina de Marionetes produzidos com residuos sólidos coletados durante a Gincana Ecológica
  
Organização do Cortejo - Bicicletas, Bailarinos, Música e Poesia
Contação de História e Brinquedo Cantando na Praça Central

Agradecimentos: Anouk, Camila, Alexandre, Paula, Marilene, Antonia, Ana Cláudia, Daiana, Neide( Mamuska), Diana, Dona Reisinha, João Pedro, Mara, Angela,  Manoel, Vera Lúcia, Cida, Keila, Sara, Lais, Tânia, enfim a todos aqueles que contribuiram para o sucesso da Semana de Arte e Cultura do Ponto de Cultura Seu Duchim.


Concurso da Dança do Peixinho
"Lá na beirinha do pocinho de cristal,
eu vi como peixinho faz.
Para arrumar uma nomorada, ele limpa as escamas, bate as barbatanas, faz cara de quem ama.
E ainda mais... sabe o que peixinho faz?
Nada, nada, nada, o peixinho nada, nada, nada e nada".

Nosso primeiro violeiro mirim.

Realização: Ponto de Cultura Seu Duchim e Instituto Rosa e Sertão

Parceria:  Prêmio Pontos de Valor -Governo Federal - Ministério da Cultura/ SCC, PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Secretaria de Educação e Cultura, Secretaria de Ação Social.

Ação Griô na TEIA 2010

A participação da NAÇÃO GRIÔ na Teia 2010 foi emocionante e muitas pessoas aderiram ao movimento. Foram quase 1.000 (mil) assinaturas recolhidas durante o evento.

A Nação Griô promoveu um cortejo até o palco principal do evento, onde se deu a abertura oficial com fala de várias autoridades e representantes institucionais, entre eles o Governador do Ceará, o Ministro da Cultura - Juca Ferreira e Célio Turino - secretário responsável pela implantação do Programa Cultura Viva. A "música de ordem" do cortejo, criada por Mãe Lúcia do Terreiro Bankoma da Bahia, cantava assim:

"QUEM SEMEIA A PAZ

SÓ VAI COLHER O AMOR

VAMOS MEU POVO ASSINAR A LEI GRIÔ


OLIROÊ, OLIROÁ

VEM SEMEAR A PAZ

QUE ESSE ANO É DE OXALÁ."


O cortejo que conquistou a adesão de centenas de pessoas durante o trajeto, terminou com a ocupação do palco e fala de duas mestras Griôs: avó Meriná Makuxi da Raposa Serra do Sol e d. Cici, contadora de histórias da Bahia. Meriná iniciou sua fala - na língua makuxi - dizendo que foi assim que seu povo conquistou suas terras em Roraima, falando e exigindo seus direitos e que dessa maneira vamos conquistar o direito dos griôs em serem reconhecidos pela seu conhecimento e garantir que os currículos escolares dialoguem com a tradição oral.

D. Cici contou uma de suas histórias:

"Na fazenda de sinhá, viviam no terreiro 3 galos: um branco, um preto e um vermelho. Certo dia, o galo branco acordou e cantou:
- Cococó - ah! se o patrão soubesse o que a sinhá faz quando ele sai pra trabalhar...!!! - e contava toda sorte de mazela e displicência da sinhá com os afazeres da casa e do lugar.
A sinhá quando escutou aquilo gritou logo lá de dentro:
- Negra! hoje eu quero comer moqueca daquele galo branco! - e assim foi.
No outro dia, o galo preto no terreiro cantou do mesmo modo, assim que o patrão saiu pra trabalhar:
- Cococó - ah! se o patrão soubesse o que a sinhá faz quando ele sai pra trabalhar...!!! - e do mesmo modo que o branco, relatou todas as faltas da sinhá.
A sinhá, da mesma maneira que havia feito anteriormente gritou lá de dentro:
- Negra! hoje eu quero comer moqueca daquele galo preto! - e assim foi.
Dias depois o galo vermelho acordou e foi logo cantando:
- Cococó - ah! se o patrão soubesse o que a sinhá faz quando ele sai pra trabalhar...!!! - só que aqui ele fez uma grande pausa e continuou: - ela faz bolinhos deliciosos pra esperar o patrão chegar, botaos negros pra trabalhar com vontade nos afazeres do lugar, cuida pra que as negras não parem um só minuto de trabalhar.
A sinhá logo berrou lá de dentro:
- Negra!!!!!
E a negra responde de pronto:
- Já sei, hoje vai querer moqueca de galo vermelho?
E a sinhá respondeu de cá:
- Não! Quero que trate desse galo vermelho com comida na boca!!! Não lhe deixe falatar nada e dê a ele de um tudo com regalo!!!!"
Após a fala das duas mestras, a Nação Griô retirou-se do palco dando espaço e passando a fala para as autoridades, que mal referendaram o espantoso movimento acontecido diante de seus olhos. Célio Turino, visivelmente emocionado pelo evento, referendou de leve em sua fala a grandeza de todo o acontecimento.
No último dia da Teia das ações os Griôs voltram às ruas durante o cortejo da Teia, sempre com a adesão de inúmeros simpatizantes da causa.
Por ser uma lei de proposição popular, precisamos recolher 1.200.000 assinaturas (1% do eleitorado brasileiro) e o nº do título de eleleitor de cada proponente deve constar do documento.
No portal www.acaogrio.org.br você pode obter maiores informações!
Junte-se a esta causa! Vamos valorizar os mestres da tradição oral brasileira e assinar a lei griô, uma lei que é nossa!!!!!



Daraína e Fabíola
Daraína Pregnolatto
Diretora Geral /Guaimbê - Espaço e Movimento CriAtivo
Ponto e Pontinho de Cultura, Leitura, Estória, Valor e Mídia Livre Quintal da Aldeia
Pontão Acão Griô Guaimbê das Nascentes & Veredas


"quem semeia a paz, só vai colher o amor, vamos meu povo assinar a lei griô!"

- www.nacaogrio.org.br

sábado, 26 de dezembro de 2009

Ponto de Cultura Seu Duchim através do projeto Manuelzinho-da-Crôa é premiado como "Ponto de Valor"

Prêmio Pontos de Valor





A Secretaria de Cidadania Cultural do Ministério da Cultura (SCC/MinC) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) divulgaram o resultado do Prêmio Pontos de Valor. A Portaria nº 46 foi publicada no Diário Oficial da União (Seção 1, páginas 11 e 12) desta terça-feira, 1º de dezembro.



Foram selecionados 50 Pontos de Cultura de todo o país que irão receber R$ 10 mil cada um por apresentarem suas melhores práticas com foco na “formação e promoção de valores de vida”. No total, o investimento alcança R$ 500 mil.

A SCC/MinC e o PNUD querem contribuir para a compreensão das formas pelas quais os valores são transmitidos em diferentes meios e linguagens artísticas, inclusive a digital, com incentivo de uma política pública, subsidiando com isso a elaboração do Relatório de Desenvolvimento Humano Nacional (RDH) 2009/2010.(http://www.cultura.gov.br/site/2009/12/01/premio-pontos-de-valor/ ).

Maiores informações: www.cultura.gov.br/premio-pontos-de-valor

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Ponto de Cultura "Seu Duchim: Espaço Geral de Folias Artevideomusicais

Ponto de Cultura "Seu Duchim: Espaço Geral de folias artevideomusicais"
Este projeto baseia-se na realização periódica de oficinas que têm como conteúdo principal expressões diversas da cultura sertaneja do Norte de Minas Gerais. Sendo nossa região um lugar onde vigora uma multiplicidade de saberes e fazeres tradicionais, associados a uma paisagem natural com a qual seus moradores interagem organicamente, acreditamos que um Ponto de Cultura seja fundamental na valorização e transmissão de modos de vida que têm veredas, brejos e gerais como fonte de inspiração para seus ofícios, artes e conhecimentos.
Decidimos chamar nosso Ponto de Cultura de “Seu Duchim Espaço Geral de Folias Artevideomusicais” por diversas razões que se compõem. Espaço porque sugere um lugar que se desloca, se movimenta, e que, além de uma estrutura física, é um território de vontades e interesses que convergem para fazer algo acontecer. Geral porque une a característica geográfica da região – os campos gerais das tantas histórias de vaqueiros – com a proposta de promover a difusão ampla e irrestrita de cultura. Folias porque tanto remete à manifestação típica das comunidades rurais que reúne, em torno de um santo ao qual se paga promessa, um grupo que toca, canta, dança, improvisa, faz visitas, come e bebe; quanto a um estado de alegria próprio daqueles que fazem o que gostam. Artevideomusicais porque explorará, de forma integrada, estes vários tipos de linguagem.
O principal objetivo que o Seu Duchim pretende alcançar é o estabelecimento de um espaço de articulação, criação e difusão das expressões culturais de inigualável riqueza histórica da nossa região. Por meio de oficinas que exploram as linguagens diversas de nosso repertório artístico e intelectual, buscaremos consolidar um lugar de troca entre jovens e velhos, homens e mulheres, cidade e roça, pautado não em uma transmissão passiva, mas num aprendizado crítico e criativo onde diferentes perspectivas estejam sempre a se mesclar. Enfim, um espaço geral cujo motor seja o entusiasmo da comunidade ampla em garantir, por meio de folias audiovideomusicais, a valorização e sustentabilidade do patrimônio cultural do Grande Sertão.
Ações do Ponto de Cultura:
1. Oficinas de dança e música, que contemplam os módulos (1) “Danças Tradicionais-Contemporâneas”, (2) “Manelzinho-da-Crôa canta o Grande Sertão”, e (3) “Orquestra de Caixas: sons e histórias na arte de fazer e tocar tambores”. Estas Oficinas visam explorar as músicas, danças e instrumentos do Grande Sertão, valorizando e resgatando o rico repertório regional de cantos de folia, cantigas de trabalho, versos de catira, danças de roda, de São Gonçalo, lundu, dentre outros. Através da transmissão desses saberes a novos aprendizes e da troca de influências entre mestres e alunos, buscaremos atingir um resultado artístico que testemunhe o encontro de experiências diversas no qual todos se sintam parte atuante do processo criativo. Além disso, as três Oficinas trabalharão em diálogo, de forma a promover a convergência de diferentes expressões artísticas em torno de temas comuns.
2. Oficina “Educando o Olhar: práticas audiovisuais”. O “Educando o Olhar” pretende consolidar um coletivo de realizadores que se expresse na sociedade local pela criação audiovisual. As oficinas compreenderão um público de 12 adolescentes que, durante 2 anos, terão atividades mensais com professores convidados para abordarem temas como: História e linguagem do cinema, Roteiro, Direção,Câmera, diversos dentro do audiovisual.
3. Ciclo de “Oficinas Itinerantes”, que contemplam os módulos (1) “Fazedeiras de Esteiras e a Arte dos Plásticos”, e (2) “CineRoça”. As “Oficinas Itinerantes” visam levar o Ponto de Cultura para além do espaço urbano, pois acreditamos que este deslocamento é fundamental na valorização das comunidades cujos saberes e fazeres são o ingrediente primordial de nosso projeto.
4. Impulsionar a transmissão e registro da história oral da região através das atividades transversais “ContAções de Griôs” e “Centro de Memória Viva: Patrimônio Imaterial do Grande Sertão”. Estas ações objetivam apoiar a tradição da história oral associada aos fazeres musicais e artísticos sertanejos, com a preocupação de registrá-la de forma documental e visual. Conforme já exposto, as “ContAções de Griôs” permearão as oficinas de dança, canto coral e orquestra de caixas. Com esta iniciativa, os griôs integrarão seus conhecimentos locais aos conteúdos programáticos das aulas, bem como, por circularem em diferentes oficinas, serão agentes de diálogo.
5. Impulsionar o “Ponto na Rua”, com a (1) “Cultura na Rua” e o (2) “Cinema na Cozinha”. O “Ponto na Rua” pretende movimentar a cidade com música, dança, arte e cinema, a fim de que a comunidade mais ampla também se aproprie e se sinta parte do que é desenvolvido no Ponto.
Realização: Instituto Rosa e Sertão
Parceiro: Ministério da Cultura e Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais
Parceiros locais:
E.E.Moacir Cândido, E.M.Santo Agostinho, Fundação Pró-Natureza -FUNATURA, Cooperativa Sertão Veredas, ADISC, Prefeitura Municipal de Chapada Gaúcha, Biblioteca Municipal de Chapada Gaúcha, Biotrópicos, Instituto Chico Mendes - PARNA Grande Sertão Veredas.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Encontro de Arte, Cultura e Leitura através da Arca das Letras - Comunidade Pequi

Biblioteca rural da Comunidade Pequi - Meninos e meninas da comunidade.
Esta biblioteca começou com o programa Arca das Letras e contava com 200 livros. Hoje através de doações conta com mais de 2.500 livros.
O Arca das Letras foi criado em 2003 pela SRA para incentivar a leitura no meio rural, reunindo esforços de parceiros governamentais e não-governamentais. Instalada na casa de um morador ou na sede de uma associação rural, cada biblioteca tem cerca de 200 livros. As comunidades escolhem os assuntos que formam os acervos, o local onde a biblioteca é instalada e indicam os moradores que serão capacitados como agentes de leitura. Os livros são organizados em caixas-estantes fabricadas por sentenciados das penitenciárias de Petrolina (PE), Mossoró (RN), Fortaleza (CE), Vila Velha (ES) e do Centro de Profissionalização Integrado do Piauí. Os acervos contêm livros nas áreas de literatura infantil, para jovens e adulto, de saúde, agricultura, meio ambiente e livros didáticos para pesquisa escolar. O MDA conta também com o apoio do Banco do Brasil/Projeto BB Fome Zero/CCBB, do Ministério da Justiça/Departamento Penitenciário Nacional, do Ministério da Cultura, das prefeituras, dos governos estaduais e dos movimentos sociais de trabalhadores rurais. (http://www.mda.gov.br/portal/index/show/index/cod/134/codInterno/14139).
O Encontro de Arte, Cultura e Leitura foi realizado pelo Instituto Rosa e Sertão e Associação Mãe Ana ( Pequi - Chapada Gaúcha), em parceria com o MDA, MME-FURNAS/Programa Luz Para Todos, Prefeitura Municipal de Chapada Gaúcha e FUNATURA.
Ofereceu um espaço para discussões de cunho ambiental e cultural e sobre a experiência dos agentes e leitores das bibliotecas rurais a partir da biblioteca rural Arca das Letras. A comunidade Pequi é localizada no entorno da Reserva Estadual de Desenvolvimento Sustentável Veredas do Acari e do Parque Estadual de Serra das Araras a 80 km da sede do município de Chapada Gaúcha/MG. É habitada por 210 famílias e com uma diversidade cultural conhecida na região, em especial, pelo o grupo de Bordadeiras, pela beleza cênica e por sua biblioteca rural.
O Encontro teve como objetivo troca de experiência entre os agentes de leitura e o estímulo a leitura. Contamos com a apresentação dos parceiros do programa no munícipio e com a oficina de Arte-educação. Este encontro mostrou que o Sertão é poesia e leitura.
Estamos nos preparando para o II Encontro que contará com os representantes das 6 comunidades participantes do programa Arca das Letras, música e folia. Aguardem!
Fotos: Arcanjo Daniel -Funatura
Damiana Campos- Rosa e Sertão

Nosso Manuelzinho-da-Crôa

Oficina com os Manuelzinhos-da-Crôa durante o VIII Encontro dos Povos do Grande Sertão Veredas.

Foto: Manuelzinho-da-Crôa
Foto: Antônia e Camis -Oficina de Arte-educação Foto: Daia e os manuelzinhos-da-Crôa
“(...) Eu olhava e me sossegava. O sol dava dentro do rio, as ilhas estando claras. –‘É aquele lá: Lindo!’ Era o manuelzinho-da-crôa, sempre em casal, indo por cima da areia lisa, eles altas perninhas vermelhas, esteiadas muito atrás traserias, desempinadinhos, peitudos (...) Mochozinho e fêmea – as vezes davam beijos de biquinquim (...) ‘É preciso olhar para esses com um todo carinho’” (Grande Sertão: Veredas. Guimarães Rosa 2007:143)
Ser criança é mais do que poder brincar a luz do sol. É riscar no chão vermelho e direcionar-se ao mundo azul. Ser Manuelzinho-da-Crôa é poder cantar, dançar e batucar ao som de uma folia.
Tudo começou numa brincadeira de ser palhaço,éramos três e hoje somos quinze.Quem um dia não me viu chorar ao declarar o meu amor pelo Manuelzinho-da-Crôa? Poucos.
Através do contar histórias, cantar canções de nino ou de batuque estas crianças nos preenche de alegria. Pois sabemos que o passarinho mais bonito e gentil está semeando em nosso lugar a esperança de estarmos em um mundo melhor.
Nossa ações são propostas acreditando no Cerrado em pé e eternizado nas pinturas de rosto feitas pelas Arte-educadoras. A toada escolhida é de nossa violeira e regida pela nossa professora e antropóloga. O registro e a nossa história através das cameras é feito pela nossa jornalista antropóloga. E onde tem criança tem quitutes e balas, sempre servidos pelas mulheres queridas do Rosa. E para finalizar os homens do Rosa não poderiam faltar, com sua força e paciência estão todos os dias a oberservar a grandeza que se transforma a cada passo que dedicamos a acreditar neste pedacinho de céu que é o nosso lugar.
Com esta rima simples apresento mais uma vez o nosso Manuelzinho-da-Crôa.
Oficinas: Todas as segundas-feira e terças-feira na Escola Municipal Santo Agostinho.

terça-feira, 30 de junho de 2009

VIII ENCONTRO DOS POVOS DO GRANDE SERTÃO VEREDAS

VIII ENCONTRO DOS POVOS DO GRANDE SERTÃO VEREDAS “PARQUE NACIONAL GRANDE SERTÃO VEREDAS (1989 – 2009) - 20 ANOS VALORIZANDO O PATRIMÔNIO NATURAL E CULTURAL DO SERTÃO” Chapada Gaúcha – Minas Gerais 09 a 12 de julho de 2009 PROGRAMAÇÃO
09 de julho (quinta-feira)
8:30 Credenciamento dos participantes
14:00 Abertura da Feira de Artesanato local e regional
14 às 17:00 (Local: Tenda) Mesa Redonda: "Patrimônio imaterial e natural: ações e histórias de vida do sertanejo." - Moderadores: Secretaria de Cultura e Instituto Rosa e Sertão
14 às 17:00 - Oficinas
17 às 20:00 (Palco 1) Apresentação de grupos tradicionais e Contadores de história
20:00 (Palco 1) Abertura Oficial
20:30 às 23:00 (Palco 1) Apresentação de grupos tradicionais
A partir das 23:30 (Palco 1) Shows artísticos
10 de julho (sexta-feira):
8:30 às 12 - Oficinas
14 às 17:00- (Local: Tenda) 20 Anos do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, “Turismo regional Sustentável”.(Presença confirmada do Presidente do Instituto Chico Mendes – ICMBIO Dr. Rômulo Mello e do Ministro do Meio Ambiente a confirmar). - Moderadores: FUNATURA, Instituto Chico Mendes e SEMAT
14:00 Feira de Artesanato local e regional
17 às 23:00 (Palco 1) Apresentação de grupos tradicionais
20:00 horas: Inauguração do Banco Popular do Brasil Chapadense.
A partir das 23:30 (Palco 1) Shows artísticos 11 de julho (sábado)
8:30 às 12:30 (Local: Tenda) Mesa Redonda Mesa Redonda “Uso Sustentável de Produtos do Cerrado e geração de renda – Ações e Projetos”. - Moderadores: Cooperativa Sertão Veredas e Instituto Rosa e Sertão
14:00 Feira de Artesanato local e regional
14 às 17:00(Local: Tenda) Oficinas
(Palco 2) Apresentações culturais
17 às 22:00 (Palco 1) Apresentação de grupos tradicionais
A partir das 22:00 Shows artísticos: Caravana Saulo Laranjeira
12 de julho de 2009 ( Domingo)

09:00h - Apresentações culturais

12:00h - Encerramento

terça-feira, 19 de maio de 2009

Manuelzinho-da-Crôa

O projeto Manuelzinho-da-Crôa, com o propósito de promover a cultura popular e visando conectar saberes diversos relacionados ao desenvolvimento sustentável, tem como objetivo principal buscar a formação humanitária de crianças e jovens da Rede Municipal de Ensino, através de Oficinas de Artesanato, Música e Capoeira, que fomentem a formação do Coral Municipal, a sustentabilidade do artesanato local, e a revitalização dos grupos de Capoeira e Contadores de Estórias. Manuelzinho-da-Crôa é um pássaro descrito no romance de João Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas, como o mais gentil e bonito de todos, destacando-se sua leveza, destreza e beleza através dos ensinamentos de Reinaldo Diadorim para Riobaldo Tatarana, personagens do livro. As crianças envolvidas no projeto ficaram conhecidas como “os manuelzinhos-da-crôa”, uma maneira de atribuir-lhes a beleza e ternura que encantaram, na obra literária, encantaram Riobaldo: “(...) Eu olhava e me sossegava. O sol dava dentro do rio, as ilhas estando claras. –‘É aquele lá: Lindo!’ Era o manuelzinho-da-crôa, sempre em casal, indo por cima da areia lisa, eles altas perninhas vermelhas, esteiadas muito atrás traserias, desempinadinhos, peitudos (...) Mochozinho e fêmea – as vezes davam beijos de biquinquim (...) ‘É preciso olhar para esses com um todo carinho’” (Grande Sertão: Veredas. Guimarães Rosa 2007:143) Como todo pássaro, o manuelzinho é também um semeador. Assim, a união de força e delicadeza exposta no trecho acima forneceu a matéria-prima para a elaboração deste projeto, que, através das oficinas citadas e durante quatro meses de realização (abril a agosto de 2008) com financiamento da Prefeitura Municipal de Chapada Gaúcha, trouxeram para o município a visibilidade dos artistas locais; a formação de agentes culturais para a continuidade da proposta e a transformação de crianças, os manuelzinhos-da-crôa, em multiplicadores dos valores associados à cultura tradicional e à preservação ambiental. Um ponto-chave deste projeto é a inter-relação das oficinas, cujo desenvolvimento foi apresentado em uma programação cultural prévia à entrega do produto final apresentado no VII Encontro dos Povos do Grande Sertão Veredas. Nessas ocasiões, os oficineiros, juntamente com a coordenação pedagógica do projeto, dispuseram-se a organizar os seguintes encontros extra-oficinas: apresentação do Coral na E.E.Moacir Cândido; Rua da Cultura (realizado na sede do Instituto Rosa e Sertão e na praça Euzébio Gobbi); e Sarau Poético.
Estamos em busca de novas parcerias. .

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Vista Panorâmica da Serra da Comunidade Buraquinhos.

Esta comunidade é localizada no corredor Ecológico Vão dos Buracos que liga Parque Nacional Grande Sertão Veredas ao Parque Estadual Serra das Araras.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Viagem ao Vão dos Buracos

Serra dos Buraquinhos - Turma do Rosa: Vitória, Daiana, Ednalva, Bergues, Ambrosina e Damiana.
Paredão dos Buracos
Descida do Buracos
Vão dos Buracos.

Moradores da Comunidade Buracos

Reunião para realização do DRP - Diágnóstico Rápido Participativo - Apoio da Cooperativa Sertão Veredas, E.M.Santa Terezinha e E.M.São João.

Projeto "Sertão dá Flor"

O projeto “Sertão dá flor”, inicializado em fevereiro de 2009, tem como objetivo criar uma rede feminina de troca de saberes sobre os usos e valores nutricionais dos frutos do cerrado e produtos da agricultura familiar com as comunidades de Buracos e Buraquinhos, localizadas no município de Chapada Gaúcha, norte de Minas Gerais. Estas comunidades fazem parte de um corredor ecológico chamado Vão dos Buracos, um cânion rico em veredas e cabeceiras de rios, que liga o Parque Nacional Grande Sertão Veredas ao Parque Estadual Serra das Araras. O Sertão dá Flor é realizado pelo Instituto Cultural e Ambiental Rosa e Sertão, ONG situada em Chapada Gaúcha que vem ao longo de dois anos realizando trabalhos voltados a Cultura e Meio Ambiente. Este projeto é realizado em parceiria com ISPN – Instituto Sociedade e População através do PPP-ECOS – Programa de Pequenos Projetos Ecossociais financiado pelo PNUD, GEF, União Européia, Florelos. Tem como ponto de partida o próprio modo de vida local, através da valorização do cerrado em pé por meio de ações protagonizadas por mulheres. Estas ações baseiam-se: na realização de oficinas de troca de experiências e conhecimentos culinários e de manejo a respeito de frutos nativos e produtos da agricultura familiar; e na organização de celebrações no término de cada módulo, a fim de que os conhecimentos sejam formalizados e festejados, e a integração entre as comunidades seja fortalecida. Como as ações de desenvolvimento sustentável na região são geralmente voltadas para atividades relacionadas ao universo masculino, empoderar as mulheres para o processo de preservação ambiental e cultural é fundamental no sentido de ampliar a sensibilização local de toda a comunidade a respeito das potencialidades do cerrado em pé. Assim, o “Sertão dá Flor” estimulará a (auto) valorização do papel social feminino para a manutenção e transmissão do conhecimento tradicional culinário, o que, por sua vez, impulsionará seu protagonismo em práticas sustentáveis de uso do cerrado. As oficinas serão ministradas por oficineiros locais ao longo do ano de 2009. Estas atividades serão divididas em quatro módulos: 1ª Frutos do Cerrado, 2º Boas práticas de manejo do solo, 3º Plantas Medicinais e 4º Celebrações – Festa do Buriti e Festa do Pequi. Todos os módulos estão sendo realizado na própria comunidade e as mulheres participantes trazem seus filhos para participar também do processo, tendo acompanhamento de Arte-educadoras, que realizam o trabalho de Educação Ambiental e Educação Patrimonial. Esta ação conta com apoio da Secretaria de Educação e Cultura do município juntamente com a Escola Municipal Santa Terezinha, Escola Municipal São João, Cooperativa Sertão Veredas e FUNATURA.