sexta-feira, 22 de março de 2013

Reunião de Planejamento do XII Encontro dos Povos do Grande Sertão Veredas

Começam os preparativos para o XII Encontro dos Povos do Grande Sertão Veredas!

Reunião de Planejamento com a Comissão Organizadora: 27 de março, quarta feira, às 14:00 horas, na Câmara Municipal de Chapada Gaúcha.
O objetivo desta primeira reunião é trazer o olhar sobre o Encontro de 2012, dividir as subcomissões do Encontro deste ano e encaminhar as demandas para o início da organização.


Um gostinho de quero mais!
Ficha técnica:
Vídeo feito pelo projeto Turismo Ecocultural de Base Comunitária.
Fotos: Instituto Rosa e Sertão, Hebert Canela, Ana Carneiro, Leo Lara, , Diana Campos, Prefeitura Municipal de Chapada Gaúcha e Funaura
Produção: Meninas do Rosa: Lady, Diana Campos, Sabrina Mendonça, Danielle Alves.
Música: Do Brasil com Vander Lee

Lembramos que este vídeo foi um dos produtos do projeto Turismo Ecocultural de Base Comunitária no Mosaico Sertão Veredas - Peruaçu do Instituto Rosa e Sertão em parceria com a CAIXA/Fundo Socioambiental e FNMA. Sendo importante ressaltar que o XI Encontro dos Povos do Grande Sertão Veredas foi realizado em conjunto com a Prefeitura Municipal de Chapada Gaúcha e ADISC, em parceria, com a Comissão Organizadora e demais instituições. 
Este coletivo vem, ao longo destes anos, construindo este espaço de discussão, Cultura, geração de renda, valorização da Cultura Sertaneja e do Cerrado em Pé.

Realização: Insitituto Rosa e Sertão, ADISC e Prefeitura Municipal de Chapada Gaúcha
ParceirosFundação Banco do Brasil, SEBRAE, Funatura, Escola Estadual Moacir Cândido, IEF, IDESE, Polícia Militar, ICMBio/Parque Nacional Grande Sertão Veredas, Ponto de Cultura/Cultura Viva/MinC/SEC de Minas Gerais, Cooperativa Sertão Veredas, Cooperativa Pioneira/COOAP, Caeté, COPASA, EMATER/MG

Reportagem sobre o seminário da Cooperação Técnica com o Mosaico Sertão Veredas - Peruaçu

video

Entrevista da presidente do Conselho do Mosaico Sertão Veredas - Peruaçu



Seminário da Cooperação Descentralizada entre os técnicos do  Mosaico Sertão Veredas - Peruaçu e do Parc Natural Regional Scarpe - Scaut/França


terça-feira, 19 de março de 2013

Seminário da Cooperação Descentralizada - Mosaico Sertão Veredas - Peruaçu/MG e Parque Natural Regional Scarpe - Escaut / França

Mosaico Sertão Veredas - Peruaçu em debate: memória do Seminário 



Aconteceu entre os dias 04 e 08 de março, em Januária, o I Seminário de Cooperação Técnica entre o Mosaico Sertão Veredas - Peruaçu e o Parque Natural Natural Regional Scarpe - Escaut / França. O seminário é fruto da Cooperação Descentralizada, ou seja, entre as regiões do Brasil e da França assinada entre os governos de Minas Gerais - com a coordenação do  IEF e  Mosaico Sertão Veredas - Peruaçu  - e  da  Região de Nord- Pas-de-Calais (NPDC)  - com a participação do  Parque  Natural Regional Scarpe - Scaut.

Essa articulação entre regiões é fruto da Cooperação Bilateral entre os governos da França e do Brasil ocorrida entre os anos de 2005 e 2010. . Teve por objetivo a troca experiência entre os Parques Naturais da França e os Mosaicos de Áreas Protegidas de todo o Brasil, reconhecidos através dos projetos realizados no edital 01/2005 do Fundo Nacional de Meio Ambiente (FNMA)/Ministério do Meio Ambiente (MMA). Neste sentido, o  Mosaico Sertão Veredas - Peruaçu foi representado pela ONG Funatura de um dos projetos na época. Seguiu como mote os temas ligados à  Gestão Integrada de Áreas Protegidas, Identidade e Gestão Territorial. Com o fim desta Cooperação os trabalhos de divulgação e articulação em rede vêm  sido conduzido  pela Rede de Mosaico de Áreas Protegidas, fruto deste trabalho. Ver site http://www.redemosaicos.com.br/

O seminário: experiências e trocas

O seminário contou com a participação de 
25 participantes de Minas Gerais representando instituições e movimentos sociais que atuam no território delimitado pela política ambiental de Mosaico de Áreas Protegidas. Sua abrangência é composta por 10 municípios do Norte e Noroeste de Minas Gerais e 1 do Oeste baiano, totalizando 14 Áreas Protegidas. Ver link: http://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/mosaicos/mapa-grande-sertao.jpg. E, 06 integrantes da delegação francesa, representada por 04 técnicos do Parque Natural,  um professor do Departamento de Geociências e uma doutoranda da Universidade de Lille.

Ao longo de 4 dias intensos foram trazidos ao debate as experiência de ambas as regiões. Com o objetivo de ter um nivelamento das informações, o primeiro dia de seminário, trouxe na programação as apresentações institucionais do SESEMA/IEF, Funatura, NPDC Parc Scarpe - Scaut. Na parte da tarde aconteceram as apresentações dos projetos em implementação no Mosaico, sendo estes: do Instituto Rosa e Sertão  "Turismo de Base Comunitária do Mosaico Sertão Veredas - Peruaçu" apresentado pela coordenadora do projeto Danielle Alves, e o da Cooperativa  Sertão Veredas "Extrativismo Sustentável no Mosaico Sertão Veredas - Peruaçu" pelo seu coordenador Marco Túlio. Ambos os projetos financiados pela Caixa Econômica/Fundo Socioamabiental. 

No segundo dia de seminário foi realizada visita de campo ao Refúgio de Vida Silvestre do rio Pandeiros. 


Visita ao Refúgio de Vida Silvestre do Pandeiros

Grupo de Trabalho

Na parte da tarde, ocorreu a visita a Comunidade de Traçadal, município de Januária. Em especial, foi apresentado o trabalho da Cooperativa Agroextrativista de Pandeiro pelo presidente Senhor Bauzinho e brindados com a participar do Grupo de Folias de Reis da comunidade

Grupo de Folia da Comunidade Traçadal

No terceiro dia assistiu-se a apresentação das experiências voltadas a Gestão das Águas com  a participação do IGAM de Montes Claros, e no período da tarde o tema Diagnóstico Territorial foi central. Ainda, ao final do quarto dia adentrou-se a experiência da França na gestão dos Parques e o sistema de georreferenciamento realizado pelo Parque. Por parte de Minas Gerais foi apresentado a metodologia do Zoneamento Econômico Ecológico (ZEE) pelo IEF Regional de Januária e do monitoramento de áreas de relevância biológica. No tocante da Agricultura a Cooperativa Sertão Veredas apresentou o trabalho com os extrativistas e as preocupações acerca do que vem acontecendo com as áreas de Cerrado e da importância de medidas urgentes pelo Estado e da Sociedade Civil Organizada com relação ao uso de agrotóxicos na região. Ainda, contou com a participação da WWF trazendo os trabalhos que vem desenvolvendo no bioma Cerrado e no Mosaico Sertão Veredas - Peruaçu em parceria com as instituições locais.

Ao decorrer foi apresentado pelas instituições do Mosaico metodologias que envolvem a participação dos atores locais e, com isso,  a importância de entendermos que o Cerrado tem seu valor biológico, mas também Cultural, sendo necessário maior aproximação dos agentes ambientais junto aos atores locais. Neste sentido,  a exposição do Plano de Desenvolvimento de Base Conservacionista, pela Funatura, demostrou como se deu o processo de participação e construção deste Plano.  Ver link: http://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/mosaicos/plano-dtbc.pdf

A apresentação dos participantes franceses teve como mote a construção da Carta Parque (Instrumento de Gestão e Implementação dos Parques Naturais), os instrumentos de Gestão Territorial (Mapeamentos e diagnósticos utilizados) e a como se dá a participação social na condução do Parque Natural. Também, contou com a apresentação do estudo de doutorado que será realizado a partir desta cooperação por Lucy, aluna da Universidade de Lille. Um detalhe interessante trazido ao longo deste encontro é a metodologia que é utilizada para se criar um Parque Natural na França. Os parques franceses foram os inspiradores para a categoria Área de Proteção Ambiental (APA) no Brasil. Assim, os Parques Naturais é composto por "paisagens naturais" e também "paisagens produtivas", ou seja, não há como pensar uma área intocada, relembrando a "natureza selvagem". A mediação realizada pela equipe técnica do Parque envolve contato direto com processo de produção aliado com a "sustentabilidade"  tendo como princípio a relação "sociedade e natureza". O tempo estimado para a criação e da construção da Carta Parque gira entorno de 12 anos, sendo este renovado a cada 10 anos. Este processo é longo, pois demanda uma participação de todas as esferas (produtores, instituições, municipalidades) e de muitos estudos densos no campo da Ecologia Política, Ecossistêmica e da Geografia. Após este processo é firmado e assinado um termo entre todos os atores envolvidos. Os recursos para equipe técnica, pesquisa, gestão e monitoramento é garantido pelas instituições locais e as municipalidades. Todos os trabalhos apresentados contou com o uso de mapas e pontos georreferenciados chegando a ter mapas com o uso de escala de 1/7.500. 

A partir do tema "território" foi apresentado pelo professor Cássio da Silva (Unimontes) o seu trabalho de tese desenvolvido na Terra Indígena Xackiabá. Esta exposição adentrou a noção de "conflito ambiental" relacionado ao acesso e uso do rio São Francisco e de "território". Atentou para o fato da noção de território partindo do olhar do Estado ( um olhar de Fora) e dos povos (um olhar de dentro). Em seguida, foi apresentado pelo Instituto Rosa e Sertão o "Projeto Nova Cartografia Social"  coordenado pelo professor Alfredo Wagner da Universidade Federal da Amazônia. A coordenadora executiva discutiu a relevância deste trabalho e da apropriação do processo  da realização das cartografias e da própria cartografia em si como instrumento de luta e reconhecimento dos territórios "tradicionalmente ocupados" pelos povos e comunidades tradicionais. Ver link: http://www.novacartografiasocial.com/

Chamou a atenção para os trabalhos que vem sendo desenvolvido no Mosaico trazendo o uso de "cartografias ambientalizadas"*. Sendo  estes instrumentos de poder com base conservacionista e sem apropriação daqueles que mantém o Cerrado em conjunto com as Áreas Protegidas do Mosaico Sertão Veredas-Peruaçu. Sendo o mapa um instrumento de poder, classificação e escolha é necessário uma  discussão mais aprofundada com relação às metodologias escolhidas e de que estamos falando, provocou o professor da Universidade de Lille. 

Para uma discussão acerca da presença de "territórios tradicionalmente ocupado" como  Quilombos e Terras Indígenas neste contexto,  é necessário atentar para o fato que a política ambiental de Mosaicos de Unidades de Conservação - se tratando da leitura do SNUC - estes territórios não são reconhecidos oficialmente como áreas protegidas do Mosaico**. Sendo estes construídos com bases no pertencimento do lugar, afetivo, de luta e reconhecimento identitário. Ao se reconhecer um Mosaico de Áreas Protegidas é importante que se entenda que não há como separar ou recortar paisagens "naturais". Assim, é necessário   perceber que qual seja o território em questão - da política pública ou do vivido - , este está carregado de significados, com diferentes formas de uso, acesso e de pertencimento. Neste sentido, o  papel dos atores e agentes sociais envolvidos nesta política  é fundamental para que este reconhecimento seja firmado e ecoado de suas bases***. 

Por fim, ficou deliberado pelo grupo participante 5 temas de relevância para discussão ao longo da Cooperação, sendo eles: i) Governança e Participação Social; ii) Identidade e Paisagem Cultural; iii) Desenvolvimento territorial e certificação; iv) Uso e Acesso aos Recursos Naturais e, iv) Ferramentas de diagnóstico "Trama Ecológica" e "Zonas úmidas".

O próximo Seminário acontecerá em setembro de 2013 na região de Nord- Pas-de-Calais. Contará com aproximadamente 6 representantes brasileiros que contribuirão para a condução das propostas firmadas nesta cooperação. 

Cabe as entidades envolvidas no território do Mosaico Sertão Veredas - Peruaçu difundir o debate. 
O Instituto Rosa e Sertão vem acompanhando às discussões e contribuindo para que além das Unidades de Conservação e das Políticas Ambientais, sejam discutidos temas voltados aos direitos territoriais dos povos e comunidades tradicionais e do uso e acesso aos recursos naturais. 

O que fica neste primeiro encontro é que a troca de experiência é sempre bem vinda. E, que cada ator social participa e constrói com o que tem a aprender e ensinar. É importante atentarmos para as comparações que possam vir a surgir, lembrando sempre que ao longo de várias décadas o uso das "cópias" trazidas da Europa foram  atualizadas e nem sempre questionadas. Saindo da impessoalização do processo que nos leva a falar de instituições e governos conduzindo as ações, pontuamos que são técnicos ambientais, representantes de movimentos socioambientais e ambientalistas que estão diretamente ligados a este processo. Cabe ao grupo internalizar a importância do estabelecimento da simetria  e, ainda, que tanto na Europa quanto na América Latina encontramos várias experiências de excelência pensando a relação sociedade/natureza.

Acreditamos que o acesso a informação e a participação social são instrumentos importantes neste movimento.

Divulguem e participem!

*Ver ACSELRAD, Henri
***Nota da autora

Fotos: Evandro Rodney
Texto: Damiana Campos


sexta-feira, 1 de março de 2013

Atividades desenvolvidas pelo Rosa e Sertão


RELATÓRIO DE ATIVIDADES DO INSTITUTO ROSA E SERTÃO
Ano 2011 e 2012
     
Sobre a instituição:

Dados cadastrais:
Sede: Rua Serra das Araras, Centro, Chapada Gaúcha/MG
Telefono: (38) 3634 1463

Diretoria atual:
Presidenta: Márcia Regina Silva Pena
2ª Presidenta: Tiana Matos
Conselheiros: Mária da Cruz, Vitória Cardoso Santos, José Albergues dos Santos e Marilene Lima
Coordenadora Executiva: Damiana Campos

Breve contextualização:

O Instituto Rosa e Sertão foi criado em 2008, no município de Chapada Gaúcha, por iniciativa de professoras municipais de educação infantil e fundamental, de moradores de comunidades tradicionais e de agentes culturais, a partir do anseio de se valorizar este lugar rico por sua multiplicidade cultural e ambiental. A instituição trabalha há mais de cinco anos com o propósito de promover a cultura popular ligada à proteção e preservação do bioma cerrado, conectando saberes diversos relacionados a modos de vida. Nosso objetivo de trabalho ao longo destes cinco anos visou à promoção da Educação Patrimonial e Educação Ambiental; a contribuição para a salvaguarda do patrimônio cultural; a promoção e o incentivo ao turismo de base comunitária; a pesquisa e difusão de tecnologias alternativas que causem menor impacto ambiental e promovam um desenvolvimento socialmente justo e ecologicamente equilibrado; o levantamento, o registro e a proteção do patrimônio imaterial e material, relacionado com as populações tradicionais que habitam o cerrado, em especial, a região norte e noroeste de Minas Gerais; ações de saúde e assistência social junto a comunidades localizadas em áreas do cerrado, em especial, a região norte e noroeste de Minas Gerais.

***

                                                                                         Projetos desenvolvidos ao longo de 2011 e 2012

Projeto Arara Vermelha: das nascentes preservadas ao Turismo de Base Comunitária

O presente projeto tem como base de inspiração a Arara Vermelha, espécie que inspirou o nome da antiga vila, hoje sede distrital, de Serra das Araras. Ali há uma enorme encosta em cujas falhas as araras fazem seus ninhos. Embora estejam em vias de extinção, essas araras costumam deixar seus abrigos para enfeitar de vermelho os céus de julho e agosto. A serra que as abriga é a mesma onde se conta terem encontrado a imagem milagrosa de Santo Antônio e, ainda hoje, todos os anos, por ocasião da data comemorativa do santo, romeiros sobem suas trilhas para lhe fazer pedidos e agradecer suas graças. O caminho desta serra é um dos roteiros previstos para nosso guia de roteiros e trilhas; sua história natural e cultural representa o mote de nosso projeto, o de despertar a população local para o grande valor ambiental e simbólico do cerrado em pé.
Serra das Araras localiza-se no município norte - mineiro de Chapada Gaúcha, conhecido pelas unidades de conservação que abriga, dentre as quais se destaca o Parque Estadual Serra das Araras (PESA), cujo entorno e o Corredor Ecológico Vão dos Buracos que o liga ao Parque Nacional Grande Sertão Veredas é o foco de atuação deste projeto. A conscientização ambiental das comunidades tradicionais do entorno do PESA e do Corredor Ecológico Vão dos Buracos é uma estratégia vital para a política de preservação do meio ambiente na região, pois estas comunidades localizam-se no trajeto de diversas espécies de animais e sementes responsáveis pela diversidade do cerrado.
O projeto iniciado em 2010 teve, ao longo de sua execução, como linha de atuação fomentar a melhoria de iniciativas turísticas já existentes em 5 comunidades (Buracos, Buraquinhos, Morro do Fogo, Serra das Araras e Pequi), buscando integrá-las ao contexto das unidades de conservação locais no intuito de gerar renda a partir de atividades sustentáveis. Para isto, foram selecionadas, através de Diagnósticos Rápido-Participativos e por meio da realização de diagnóstico socioambiental e econômico 09 casas que já têm alguma inserção na atividade turística. Foram desenvolvido oficinas de capacitação e formação, contando também com palestras de Organização Comunitária com os participantes. Além de participarem das oficinas de guia ecoturístico e de artesanato (buriti, costura e bordado) para confecção de souvenir a serem vendidos aos turistas em casas e pontos de referência para participar da elaboração do Guia de Pousos e Passeios Arara Vermelha-Vão dos Buracos.
Todas as etapas tiveram como produto final o cadastro com dados sobre os participantes e relatórios das atividades, constituindo um inventário sócio-cultural das comunidades. As palestras e oficinas tiveram como principal intuito o estímulo ao debate em torno da preservação ambiental, constituindo parte do Plano de Educação Ambiental do Projeto Arara Vermelha. Este também incluiu a participação dos alunos do último ano do Ensino Médio da Escola Estadual Serra das Araras, os quais, com base na grade curricular da escola, produziram os roteiros contendo suas histórias de interesse cultural e ambiental sobre os pontos turísticos do guia de roteiros de trilhas.
Com relação ao material de divulgação e apresentação dos resultados do projeto, produzimos um folder contendo os roteiros que estamos denominando de “Pousos e Passeios” (Vide o anexo folder). Ainda, com o objetivo de descrever os caminhos percorridos e sensibilizar o leitor para o objetivo do turismo de base comunitária, foram confeccionados 500 catálogos com informações das casas receptivas, do Parque Estadual Serra das Araras, quem acionar e como realizar estes roteiros. (Vide o anexo catálogo).
Durante o XI Encontro dos Povos do Grande Sertão Veredas (12 a 15 de julho de 2012) foi realizado o lançamento do roteiro Buraquinhos com a caminhada ecocultural. Apresentamos os pousos e passeios fomentados durante o projeto. Houve mídia espontânea e participação de todas as comunidades que trabalharam conosco durante esta realização. (Vide o anexo – Programação do XI Encontro dos Povos do Grande Sertão Veredas).
Realizado em parceria com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (SEMAD) e Instituto Estadual de Florestas (IEF).         

Projeto: Ponto de Cultura Espaço Geral Seu Duchim de Folias

Este projeto baseia-se na realização periódica de oficinas que têm como conteúdo principal expressões diversas da cultura sertaneja do Norte de Minas Gerais. Sendo nossa região um lugar onde vigora uma multiplicidade de saberes e fazeres tradicionais, associados a uma paisagem natural com a qual seus moradores interagem organicamente, acreditamos que esta proposta apresentada foi fundamental na valorização e transmissão de modos de vida que têm veredas, brejos e gerais como fonte de inspiração para seus ofícios, artes e conhecimentos.
O ponto de partida para as ações do Manuelzinho-da-Crôa é a cidade nortemineira de Chapada Gaúcha, nome que remete à migração de agricultores do Rio Grande do Sul na década de 70 e a um modelo de gestão no campo baseado em empresas monocultoras. A monocultura (no caso em questão, da soja e da semente de capim braquiaria) não se refere apenas a uma proposta de modelo econômico, mas também a modos de vida e suas dimensões culturais, sociais e simbólicas. O modo como a terra é pensada e apropriada relaciona-se de forma íntima com o modo como as pessoas criam, como as pessoas se fazem culturalmente. Se o nome de nossa cidade sugere a hegemonia de uma dada perspectiva econômico-social, ele não consegue esconder, por entre vãos que cismam em cortar sua chapada, vidas que se nutrem de veredas, brejos, vazantes e cerrado.
A força desta região já fora (ine)narrada pelo Grande Sertão: Veredas de João Guimarães Rosa, escritor que nos inspira poética e conceitualmente. Dele, tomamos de empréstimo a referência à nossa região como Grande Sertão, e a seus habitantes, sertanejos. A cultura sertaneja é o motor para nossas ações com as crianças e adolescentes; a partir dela é que se baseiam os conteúdos das oficinas propostas. Das tradicionais danças de roda (marujo do mar, crueira, hiuma, tropeiro, guaiana, do tamanduá, sum sum, zão zão, quatro etc.), de São Gonçalo e seus arcos, quilombolas (lundu, manzuá, roda baiana, vapor brasileiro, soldadinho inglês, etc.), das brincadeiras de roda puxadas por cantigas cantadas pelos “antigos”, dos brinquedos coloridos com o pelo cavalo marinho, da leitura por meio do Ponto de Leitura, mesmo que tímida se torna grandiosa no chá literário, no encontro com o circo e a figura magistral do palhaço a arte se transforma e transborda de sorrisos, do encontro com os educadores da rede pública de ensino em que o tema “cultura da infância” emerge com força total e, desta forma, proporciona sua fundição no II Encontro de Cultura  e Infância durante o XI Encontro dos Povos do Grande Sertão Veredas. Por fim, tudo foi registrado por meio escrito e audiovisual, para que tenhamos um Centro de Memória Viva disponível à consulta de toda a comunidade como ação principal que desdobra no projeto Ponto de Cultura “Espaço Geral Seu Duchim de Folias”.
Realizado em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura e Ministério de Cultura
Parceiros locais: Rede Pública de Ensino, Prefeitura Municipal e Rede de Pontos de Cultura de Minas Gerais.

Mais informações: Daiana Campos E-mail: espacodefoliasseuduchim@gmail.com e Ladyjane Macêdo E-mail: ladymacedo.seuduchim@gmail.com 

Prêmio: Pontinhos de Cultura 2010
 Este projeto foi remetido ao edital 003/2010 do Prêmio Pontinhos de Cultura, uma iniciativa do Ministério da Cultura, por meio da Secretaria de Programas e Projetos Culturais do (SPPC/MinC). Realizado ao longo de 2011 e 2012.
A proposta base do presente projeto versa sobre a leitura do direito a cultura e a ação de brincar como fundamentos elementares na formação do ser humano, tendo o conceito de “culturas infâncias” como mote central. Seu objetivo foi ativar e potencializar as ações já existentes e, como descritas na iniciativa, fomentar a formação de coletivos pensantes em que a Cultura e o Meio Ambiente sejam vistos como indissociados.
Mobilizar o conceito de culturas e infâncias nesta construção social do direito da criança e do adolescente tem sido possível em função de as atuais pesquisas desenvolverem o sentido de culturas infantis, tomando assim as crianças como referência em seus múltiplos contextos. Neste ponto Oliveira aponta que estes referenciais “possibilitam entender as crianças em seus contextos, com suas diferenças e singularidades em cada tempo e espaço”. Ainda discorre que estas pesquisas – por meio de diferentes metodologias – “trazem a voz das crianças que apontam para a possibilidade de deslocar a leitura das infâncias do ponto de vista adultocêntrico para o ponto de vista das crianças”. (OLIVEIRA: 2009, p. 4)
Indicamos ainda que o “Prêmio Pontinhos de Cultura” somou às ações do Ponto de Cultura Espaço Geral Seu Duchim de Folias, tendo como prerrogativa o Programa Cultura Viva em sua ação Ponto de Cultura. A ideia principal está relacionada a junção dos objetivos de ambas as ações e levá-las para o maior número possível de participantes.

1.       Das ações e seus resultados: a preparação para o II Encontro de Cultura e Infância no XI Encontro dos Povos do Grande Sertão Veredas

O presente projeto contou com a participação direta de 80 crianças e adolescentes na faixa etária de 6 a 17 anos, estudantes da Rede Pública de Ensino e indiretamente 3.000. Durante 06 meses as atividades contemplaram a realização de: i) Rua da Cultura, ii) Oficina de Comunicação Social, iii) Oficina de boneca Abayomi, iv) Rodas de Prosa, v) Ponto de Leitura, vi) Campanha de Conscientização sobre o Trabalho infantil e venda de bebidas alcoólicas a menores de idade, vii) Reuniões com pais, viii) Oficina de Arte Educação e Arte Circense, ix) Registro em Áudio Visual, x) Programa Prosa e Sertão (Rádio Comunitária) e xi) Junção das ações na realização  do II Encontro de Cultura e Infância.
Contou com profissionais ligados a área do teatro, Arte Educação, Ação Social, Música, Dança e Comunicação Social, totalizando a contratação de 9 profissionais. Incentivou com bolsa de ajuda de custo e programa de formação um coletivo de 5 adolescentes com objetivo de proporcionar a formação e atuação no campo da arte educação, mídia livre, artes visuais e capoeira.
Realizou cerca de 480 horas de criação e fruição cultural com a participação direta de 100 crianças e adolescentes e, indiretamente, cerca 1.000 crianças. Foram acessadas e com participação direta do projeto: 02 comunidades tradicionais (Comunidade Quilombola Retiro dos Bois e Comunidade Buraquinhos), 01 distrito (Serra das Araras), 03 escolas públicas (Escola Santo Agostinho, Escola Estadual Moacir Cândido e Escola Estadual Serra das Araras) e a sede do município de Chapada Gaúcha.

Projeto Turismo Ecocultural de Base Comunitária no Mosaico Sertão Veredas- Peruaçu

A Caixa Econômica Federal firmou, em dezembro de 2011,  Acordo de Cooperação Financeira com o Instituto Cultural e Ambiental Rosa e Sertão para apoiar projeto de Turismo Ecocultural de Base Comunitária no Mosaico Sertão Veredas-Peruaçu. Este prevê juntamente com o projeto de Extrativismo firmado com a Coop. Sertão Veredas, a  conservação e uso sustentável do Cerrado na região do Sertão Norte-Mineiro, Noroeste e Bahia. A ação será feita por meio do Fundo Socioambiental Caixa (FSA).
O projeto é realizado no bioma cerrado, que ocupa uma área de 25% do território brasileiro, com grande biodiversidade, riquezas socioculturais e importantes nascentes de bacias hidrográficas como a do São Francisco, do Prata e do Amazonas tendo como objetivo fomentar o desenvolvimento da região em bases sustentáveis e integrado ao manejo das unidades de conservação e demais áreas protegidas do Mosaico SVP.
Estão previstas as seguintes ações: i) Formação nas áreas de empreendedorismo relacionados a hospedagem e alimentação, Condução de turistas, desenvolvimento de roteiros ecoculturais, operadores locais de turismo, noções de turismo; ii) Visitas de intercâmbio em localidades que realizem trabalhos bem sucedidos relacionados com ecoturismo e turismo ecocultural, objetivando a troca de experiências e estabelecimento de parcerias; iii) Valoração da cultura tradicional por meio de educação ecocultural nas escolas e comunidades e, realização do Encontro Anual dos Povos do Grande Sertão Veredas;  iv) Fortalecimento da organização comunitária; v) Melhoria da infra-estrutura por meio da implementação de três pousadas comunitárias.
De acordo com o Plano de Trabalho o referido projeto será executado em dois anos com abrangência nos 11 municípios que engloba o Mosaico, contando com a gestão participativa do Conselho Consultivo do Mosaico e o acompanhamento do Comitê formado por instituições governamentais e não governamentais da região.
Municípios de abrangência: Urucuia, Formoso, Arinos, Chapada Gaúcha, Januária, Cônego Marinho, Bonito de Minas, Itacarambi, Manga, São João das Missões e Cocos (BA)
Realizado em parceria com o Fundo Socioambiental da CAIXA e Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA).
Mais informações: Danielle Alves -  e-mail danielle.rosaesertao@gmail.com e Damiana Campos - rosaesertao@gmail.com